''Não consigo dormir direito'', afirma amiga de 10 dos 12 mortos

Parentes passaram o domingo relembrando a tragédia; Eduardo, irmão de Igor, morto na escola, não quer voltar

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2011 | 00h00

RIO

Amparada por amigas, a mãe de Igor Moraes da Silva, de 13 anos, uma das vítimas do atirador Wellington Menezes de Oliveira, mal conseguia falar e apenas olhava as fotos do filho, no início da tarde de ontem, na porta da Escola Municipal Tasso da Silveira. Além da dor pela perda, Inês Moraes da Silva está apreensiva com o futuro do filho Eduardo, de 11 anos, que não foi atingido.

"Ele também estuda lá, em outra sala. Chegou em casa desesperado, deitou embaixo da mesa e diz que não quer voltar para a escola", contou Inês.

Por mais que os moradores do entorno do colégio tentem retomar a rotina, passaram o domingo relembrando a tragédia de quinta-feira. Uma cerimônia ecumênica foi realizada pela manhã, e a Igreja Presbiteriana em Piraquara, que fica na frente da escola, abriu as portas para parentes dos alunos e para funcionários da prefeitura que prestam assistência às vítimas.

Aos 14 anos, Marcos da Silva, outro aluno que escapou dos tiros, olhava o movimento, mas, arredio, evitou contar o que viveu. "Já falei com a psicóloga", justificou o menino, da mesma turma do 7.º ano de Ramon Ray Santos Nepomuceno, de 13 anos, que não foi à aula naquela quinta-feira. "Eu passei mal durante a noite. Mas quero voltar à escola quando reabrir, estudo aqui desde a alfabetização", disse Ramon, amigo de duas meninas mortas, Laryssa Martins e Bianca Rocha Tavares.

No enterro de Bianca, Ramon pediu autorização aos pais e colocou um colar com a letra "B" no pescoço da amiga. A irmã gêmea de Bianca, Brenda, também foi atingida, mas sobreviveu ao massacre e está internada. "Elas são muito amigas, não sei como vai ser", lamentou Ramon.

Amiga de Larissa dos Santos Atanásio, Laiane Menezes, de 15 anos, foi com a família levar cartazes de homenagem à menina. Laiane deixou a escola municipal no ano passado, ao completar o ensino fundamental, e agora cursa o ensino médio em um colégio estadual. "Não consigo nem dormir direito." Ela conhecia dez das 12 crianças mortas.

Feridos. No sábado, um dos três pacientes que estavam em estado grave, uma menina de 12 anos, teve melhora. Ela está lúcida e já respira sem a ajuda de aparelhos. O quadro de dois meninos, porém, ainda é complicado. Dez crianças feridas pelo atirador seguiam internadas ontem em seis hospitais do Rio.

Depredação

Na madrugada de domingo, a casa onde Wellington viveu em Realengo foi atacada por vândalos que destruíram o portão da garagem com pedradas. A casa já tinha sido pichada.

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