José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

'Não adianta julgar obra que não está pronta', diz Haddad sobre ciclovias

Prefeito afirma que os avanços na mobilidade urbana da capital são criticados pela população, mas reconhecidos por 'quem está de fora'

O Estado de S. Paulo

19 Março 2015 | 10h17

Atualizado às 12h27

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) disse na manhã desta quinta-feira, 19, em entrevista à Rádio Capital, que "não adianta julgar" uma obra que não está pronta, referindo-se às ciclovias da cidade. Na tarde desta quarta-feira, 18, a Promotoria de Justiça de Urbanismo e Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo entrou na Justiça com pedido de paralisação imediata de todas as obras de ciclovias.

"Como a pessoa vai julgar um plano que está em construção? Não tem cabimento fazer ciclovia e deixar fechada", afirmou o prefeito.

A Prefeitura, lembrou Haddad, está implementando uma malha cicloviária mínima para conectar a bicicleta às estações de trem e metrô, além dos terminais de ônibus. "Estamos consolidando uma malha de 500 quilômetros. Vamos fazer mais 430 quilômetros até o fim do ano." 

Haddad disse que os avanços na mobilidade urbana da capital são criticados pela população, mas reconhecidos por "quem está de fora".

"Essa modernização de São Paulo às vezes as pessoas criticam, mas no dia 13 de janeiro fomos para Washington receber um prêmio de mobilidade. São Paulo foi escolhida como a cidade no mundo que mais fez pela mobilidade em 2014", declarou Haddad. "Quem está de fora está vendo. Não adianta julgar uma obra que não está pronta."

Segundo a Prefeitura, o Novo Plano Diretor Estratégico, aliado à expansão da rede cicloviária e das faixas exclusivas de ônibus, teriam contribuído para São Paulo ser uma das cidades vencedoras da 10ª edição do Sustainable Transportation Award (STA), prêmio internacional de transporte sustentável.

Além de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também foram premiadas. As três capitais brasileiras se juntam a outros cidades vencedoras do STA, como Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires. A entrega ocorreu no dia 13 de janeiro deste ano, em Washington, nos Estados Unidos.

Ônibus noturno. Com pouco mais de duas semanas em funcionamento, o número de passageiros nas linhas de ônibus da madrugada aumentou 70%, disse Haddad. Uma das razões para o salto é a redução no tempo de espera nos pontos de ônibus, que teria caído de 1 hora para 15 minutos. 

O programa entrou em operação com 151 itinerários e ainda passa por processo de ajustes. "É óbvio que tem um processo de adaptação porque houve trocas de linhas para utilizar o serviço. Mas, assim que ajustar, a pessoa não vai estar mais do que 15 minutos na parada."

Faixas exclusivas. O prefeito observou que as críticas contra as faixas exclusivas de ônibus "sumiram" após a  entrega de quilômetros de vias. "É mais do que a soma do que todos os meus antecessores fizeram", comparou. 

Segundo Haddad, a velocidade dos ônibus aumentou 46% com a implantação das faixas e corredores. A economia média dos usuários, por trecho, passou a ser de 19 minutos - total de 4 horas por semana, de acordo com cálculos da Prefeitura.

Haddad se mostrou incomodado por supostamente estar no principal alvo dos críticos aos projetos de mobilidade urbana. "Metrô e trem são atribuições do Estado e ninguém reclama que o monotrilho está há não sei quantos meses em teste e não entra em operação."

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