Na zona sul, telecentro vira 'bota-fora' de entulho

No Jardim Ingá, uma das regiões mais pobres no extremo da zona sul de São Paulo, um telecentro aberto em 2009 e que chegou a ser considerado modelo pelo governo municipal virou depósito clandestino de entulho. Mesmo depois de ser fechado oficialmente em maio de 2012, as despesas da unidade continuaram sendo repassadas por mais dois meses à Prefeitura.

Diego Zanchetta, Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2013 | 02h05

O prédio onde funcionava o telecentro ilustra o abandono do programa. Cercado por alambrado e sem nenhum segurança, o espaço hoje é usado por moradores de rua que dormem no gramado do local, cercado por alambrado e sem nenhum segurança.

Às quintas-feiras, quando acontece uma feira livre na Rua Francisco Soares, ao lado do telecentro, feirantes jogam restos de caixas e de alimentos dentro da repartição, como flagrou a reportagem do Estado.

Quem vê as fotos do telecentro em funcionamento no final de 2010, no blog criado à época por moradores que divulgavam as atividades do local, lamenta o abandono repentino.

"De repente, as aulas (de informática) pararam no início do ano passado. Aí fechou e muitos moradores de rua tomaram conta. É uma pena, eu vinha toda tarde acessar a internet", lamenta Jéssica Baptista, de 19 anos, estudante e moradora no Jardim Ingá.

A sujeira se acumula dentro do telecentro, com entulho esparramado por todos os cantos. "Aqui ninguém toma conta não, está tudo abandonado. A gente deixa algumas caixas com as frutas que sobraram para o pessoal (garis e moradores de rua) pegar mais tarde", contou um feirante que não quis se identificar.

Do outro lado da cidade, em Parada de Taipas, no extremo da zona norte, o Telecentro mantido pela entidade Mulheres Raça e Coragem também fechou as portas, apesar de as despesas continuarem sendo enviadas no início do ano para a Prefeitura. Oficialmente, porém, na porta da unidade existe só um cartaz com a informação "fechado para reforma por tempo indeterminado".

Sem explicações. Segundo os responsáveis pela ONG Mulheres Raça e Coragem, o Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort) comunicou que o local seria fechado, sem explicações. A ONG informou que recebia, em média, 3 mil alunos por mês em cursos de informática. / D.Z. e R.B.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.