Na zona sul, segurança já virou uma estratégia de marketing

A segurança virou até estratégia de marketing para a venda de jazigos no Cemitério de Congonhas, no Jardim Marajoara, zona sul da capital paulista. "Aqui é muito seguro. Na vizinhança, há uma delegacia seccional e um batalhão da Polícia Militar", ressalta, pelo telefone, um animado corretor do Cemitério de Congonhas. "Tem até um segurança particular que fica na porta do velório. Nunca esse cemitério foi assaltado. É uma paz."

Valéria França, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2010 | 00h00

Ele explica que há ainda mais dois seguranças durante à noite ? pouco ainda, se se considerar que o local tem 155 mil m² de área. São 24.700 jazigos e 9 salas de velório.

Como a maioria de seus concorrentes, porém, o cemitério não inspira segurança aos frequentadores, principalmente à noite. "Não tem ninguém circulando. Não vi nenhum sistema de segurança. Trancar a porta do velório e ir para casa foi uma questão de bom senso", explica a médica Ana Paula Alonso, que há pouco mais de um mês velou e enterrou a mãe no Cemitério de Congonhas. "Quem mora em São Paulo sabe o risco que está passando ao ficar num lugar assim."

Alguns familiares de Ana estiveram no velório durante a madrugada e encontraram as portas fechadas. Alguns foram porque acharam o horário mais prático; outros, para prestar solidariedade, numa hora que entendiam como a mais difícil ? quando o velório esvazia e ficam apenas os muito próximos.

Estranharam as portas fechadas. Estranharam ainda mais quando souberam que foi por uma questão de segurança. Há quem diga até que os funcionários aconselham as famílias a ir para a casa durante a noite. Congonhas nega.

Arrastão. Na zona sul, os cemitérios que ficam na região do Morumbi, além de isolados, fazem limite com favelas. Uma das vielas que leva ao Getsêmani tem até um "cemitério" de carros abandonados. No velório da Paz, o medo já fez uma família pedir à empresa particular de segurança do local um vigia extra, para ficar de olho no corpo durante a noite até a família voltar. "A gente ouve dizer , mas assaltos acontecem sim em velórios", diz o arquiteto Carlos Henrique Maia, de 54 anos. "Cheguei logo depois de um arrastão no Araçá. Era velório de um amigo. Um horror." /

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.