Na zona leste, desafio é criar empregos

Indústrias e serviços devem diminuir déficit; em Itaquera, oferta é um terço da média de SP

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Uma via cercada por pelo menos uma dúzia de grandes terrenos ociosos, pequenas casas enegrecidas pela fumaça dos caminhões, conjuntos habitacionais e lojas simples. Para quem vive no entorno da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste da capital, ocupar esses terrenos vazios com indústrias e novos serviços significa mais que resolver problemas urbanísticos: pode ser a solução para falta de segurança e baixa oferta de empregos.

Em Itaquera, distrito de 220 mil habitantes cuja área é cortada pela operação, a oferta de empregos é bem inferior à média da cidade. Na capital, segundo dados da Prefeitura, há 50 empregos para cada 100 habitantes; no distrito, a média é de 16 empregos para 100 habitantes. Assim, a maioria dos moradores deve se deslocar para trabalhar, sobrecarregando vias de acesso e transporte público.

A falta de empregos também aumenta a sensação de insegurança entre os moradores. "Vemos muitos desocupados nas ruas do bairro", diz a dona de casa Marli Dias, de 48 anos, moradora de Itaquera desde 1981. Outra razão de insegurança são as grandes áreas ociosas próximas à Jacu-Pêssego. "São depósitos de entulho, pneus e ponto de encontro de drogados. Aqui em casa, o medo é da dengue e do crime", diz a aposentada Laurinda do Nascimento, de 68 anos, vizinha de um terreno baldio.

Além disso, a oferta cultural dos distritos que fazem parte do perímetro da operação - Parque do Carmo, José Bonifácio, Itaquera e São Miguel Paulista - está entre as mais baixas da cidade: três equipamentos para 500 mil habitantes.

Apesar dos problemas, o mercado imobiliário vem investindo na região. Entre 2007 e 2009, 31 condomínios residenciais foram lançados em Itaquera - quase três vezes mais que entre 1997 e 1999, quando foram erguidos 12 empreendimentos.

Até R$ 130 mil. "A vocação maior será industrial, com ocupação de áreas ociosas próximas ao Parque do Carmo e ao longo da Jacu-Pêssego, mas a expansão imobiliária deve continuar, principalmente com apartamentos pequenos, de 50 m², que custem até R$ 130 mil", diz o presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompeia. "É ótima oportunidade para construir pequenos centros comerciais e abastecer uma área povoada e com poucos serviços."

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