Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Na Vila Cruzeiro, um 'rastro de sangue'

Comércio e escolas fecharam e hospital foi mobilizado para atender feridos de tiroteios

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

O Estado teve de montar uma operação de guerra no Hospital Estadual Getúlio Vargas para atender feridos nos confrontos da Vila Cruzeiro. Todas as cirurgias eletivas foram canceladas e pacientes internados, transferidos para outros hospitais. Quem procurava o centro médico para atendimento, mesmo na emergência, era recusado para que os médicos pudessem dedicar-se apenas às vítimas. Nos dois dias de conflito, já são 29 feridos e quatro mortos na área.

Até o fim da tarde, a polícia não havia divulgado o número de pessoas mortas. No entanto, o subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, disse que "havia um rastro de sangue" na comunidade. Moradores, assustados, fugiram da favela. Os que ficaram exibiam panos brancos nas janelas pedindo paz. Quinze mil crianças e adolescentes ficaram sem aulas nas escolas. O comércio fechou a porta durante todo o dia.

O servente José Pereira, de 33 anos, um dos atendidos no Getúlio Vargas, passou quatro horas sentado na porta porque, com o tiroteio, não tinha como ir para casa (mais informações abaixo). Outros moradores estavam revoltados com a situação. Cristiane Miguel dos Santos, de 32 anos, vizinha do metalúrgico Bruno da Silva, de 24, outro dos baleados durante a incursão, fez questão de defender o amigo: "Somos moradores da Vila Cruzeiro, mas não somos bandidos. O Bruno só não morreu porque a polícia errou o tiro." No asfalto, o comércio e os bancos fecharam as portas em todo centro comercial da Penha. As ruas da Vila Cruzeiro ficaram vazias.    

 

 

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Tensão. Apesar de as operações policiais terem acontecido na zona norte da capital fluminense, o clima de tensão e medo se espalhou por todo o Rio. Trinta veículos foram incendiados só ontem. Um falso alarme de bomba esvaziou os 42 andares do prédio-sede do Banco do Brasil, no centro. Os funcionários da mesa de operação chegaram a ser deslocados para outro prédio da instituição, para não interromper a atuação de mercado. O prédio-sede, na Avenida Senador Dantas, ao lado do Quartel-General da Polícia Militar, foi totalmente evacuado enquanto agentes do Esquadrão Antibombas vasculhavam os andares. Nada foi achado.

À tarde, uma bomba caseira explodiu no estacionamento do Supermercado Guanabara, em Bonsucesso. Um homem ficou ferido e três veículos foram danificados. O artefato foi arremessado por homens que passavam em uma moto. Todo o comércio da região fechou.

Jacarezinho. Em outra grande operação de ontem, na Favela do Jacarezinho, na zona norte, pelo menos nove pessoas morreram. Para evitar que os bandidos do Jacarezinho se refugiassem na Rocinha ou no Vidigal, na zona sul, a polícia reforçou a segurança no entorno. / MÁRCIA VIEIRA, GABRIELA MOREIRA, BRUNO BOGHOSSIAN, MARCELO AULER, TALITA FIGUEIREDO, ROBERTA PENNAFORT, ALFREDO JUNQUEIRA e CLARISSA THOMÉ

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