Caio do Valle/Estadão
Caio do Valle/Estadão

Na Sumaré, faixa de ônibus estreia sem fim de motofaixa

Pista exclusiva de ônibus beneficia passageiros, mas sinalização horizontal confusa atrapalha motoristas

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2013 | 17h02

SÃO PAULO - O primeiro dia de funcionamento das faixas exclusivas de ônibus das Avenidas Antártica, Sumaré e Paulo VI, na zona oeste, nesta segunda-feira, 18, foi marcado por improvisos. Embora o mecanismo tenha facilitado a vida de quem depende de transporte público, a sinalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) deixou a desejar: algumas faixas de rolamento para os carros ficaram muito estreitas e a motofaixa, que fica à esquerda da pista, não foi apagada, o que deveria ter acontecido no fim de semana, segundo a própria Prefeitura.

Mesmo assim, a maioria dos motoristas de carro e moto respeitou o direito dos ônibus e não invadiu as novas faixas exclusivas, que ficam à direita. A reportagem percorreu a maior parte dos 3,9 km do novo mecanismo durante a manhã e viu poucos carros atrapalhando o deslocamento dos coletivos.

Quem depende dos ônibus para se locomover aplaudiu a iniciativa. "Minha viagem ficou hoje uns cinco minutos mais rápida, graças à nova faixa", disse o analista de telecomunicações Marcio de Aquino Gomes, de 30 anos, que pegou o ônibus da linha 177-X na Barra Funda, desceu nas proximidades da Estação Sumaré do Metrô, ambas na zona oeste. Seu colega, o também analista Walfrides Machado Alves, de 52 anos, aprovou a medida. "Só espero que haja fiscalização para evitar que os carros entrem nas faixas."

Diversos fiscais da São Paulo Transporte (SPTrans) e da CET foram vistos por volta das 11h indicando para os motoristas "furões" saírem da pista exclusiva para os ônibus -- somente os veículos que precisam entrar nos estabelecimentos lindeiros à avenida ou fazer uma conversão à direita em alguma rua têm autorização para percorrer a faixa, mas por poucos metros.

As multas para quem não obedecer as novas regras começam a ser aplicadas, de acordo com a CET, no dia 2 de dezembro, quando a fiscalização punitiva começa naquele eixo. A infração, média, custa R$ 53,20 e rende três pontos na carteira de motorista.

Os motoristas de carros disseram que enfrentaram mais lentidão do que o normal com a inauguração da faixa exclusiva de ônibus. "Não gostei, não, dessa faixa. O trânsito para mim está aumentando, levei 20 minutos a mais do que antes para ir do Limão (na zona norte) até Pinheiros (na zona oeste)", disse a advogada Priscila de Araújo Silva, de 35 anos.

Por volta das 10h30, a reportagem levou 14 minutos para ir da Praça Marrey Júnior, na Avenida Sumaré, até a esquina com a Rua Lisboa, na Paulo VI, extensão que compreende a totalidade da nova faixa exclusiva de ônibus.

O congestionamento foi agravado pelo fato de que, em alguns trechos, como perto da Rua Apinajés, as faixas para os carros ficaram mais estreitas do que o normal, com a nova sinalização da faixa de ônibus. A CET informou que a pintura da sinalização horizontal da Avenida Sumaré ocorrerá ainda nesta semana, assim como a criação dos bolsões exclusivos para motociclistas -- contrapartida à remoção da motofaixa.

Motofaixa. A polêmica decisão de apagar a motofaixa que existe desde setembro de 2006 no eixo Sumaré-Paulo VI, anunciada na quinta-feira passada pela CET, não ocorreu na data anunciada. Segundo a gestão Fernando Haddad (PT), nesta segunda-feira, 18, a faixa não deveria existir mais.

Contudo, não foi o que se observou. A CET informou que "o trabalho de remoção da motofaixa nas avenidas Sumaré e Paulo VI foi prejudicado devido às chuvas no domingo" e que, na própria segunda-feira, em caráter de "urgência", a remoção seria feita. As placas já haviam sido removidas.

Porém, de manhã, os motociclistas continuaram usando a via exclusiva para motos. E os motoboys se dividiam sobre o fim desse mecanismo. "Acho melhor e mais seguro andar pela faixa exclusiva", disse o motoboy Ademilson Amarante Paulino, de 27 anos. Já seu colega de profissão Valdemir Ribeiro Lira, de 21 anos, não gosta da motofaixa, embora ande por ela. "É ruim porque não nos dá muita opção para ultrapassar."

Já o sindicato da categoria, o Sindimoto-SP, não aprova a decisão. "A Prefeitura não tem um pingo de respeito. Justo a da Sumaré. É uma pena. Estamos trabalhando para aumentar essas faixas. Eles não estão enxergando as motos da maneira que deviam enxergar", declarou na semana passada o presidente da entidade, Gilberto Almeida dos Santos, o Gil, acrescentando que a entidade não foi consultada nem informada sobre a decisão. "Estão na contramão da história. Não deviam desmanchar o que já está feito."

Entretanto, o diretor de Planejamento da CET, Tadeu Leite Duarte, disse que a motofaixa sempre foi um "projeto-piloto" e que "não apresentava os resultados esperados". "Além de não melhorar em nada o desempenho da circulação dos motociclistas, ela tem um potencial de risco muito grande. Tanto que num primeiro momento os estudos demonstraram que houve um aumento de 152% na quantidade de acidentes com vítimas naquele local envolvendo motos."

Em nota, a CET informou que "embora em 2012 nenhum motociclista tenha morrido nas Avenidas Sumaré e Paulo VI, no ano passado eles se envolveram em 58 acidentes de trânsito com vítima, contra 23 ocorrências em 2006, ano de estreia da motofaixa".

Para "compensar" a desativação do mecanismo, a CET informou que criará bolsões para motos nos principais cruzamentos do eixo da Sumaré, em esquinas como as com as Ruas Capote Valente e Lisboa. Nenhum desses bolsõe, entretanto, já havia sido criado na manhã de segunda-feira.

Na manhã de ontem, durante cinco minutos, a reportagem contou 12 motos passando em um trecho da Avenida Sumaré, sentido Barra Funda, na altura da Rua Ministro Godói. Todas elas usaram a motofaixa.

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.