Na semana de moda, 22°C e looks de inverno

Modelos já estão acostumados ao 'choque térmico': calorão do lado de fora e frio na passarela

VALÉRIA FRANÇA , FLÁVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2012 | 02h04

Com o calorão de 36,1ºC que fez ontem, a top Thaís Custódio, de 16 anos, fez como muitas gente na cidade: chegou para trabalhar de camiseta. Mas, com o ar-condicionado no máximo, as temperaturas na tenda do Parque Villa-Lobos, onde até amanhã ocorre a São Paulo Fashion Week, edição outono/inverno 2013, variavam de 10ºC a 22ºC. Não deu outra: choque térmico.

"Já desci do táxi e corri para dentro. Ontem (anteontem), sofri andando de baixo do sol. O parque não tem árvores e eu não encontrava a entrada certa. Fiquei com dor de cabeça. Quando entrei foi um choque", disse

Já dentro da tenda montada especialmente para os desfiles, Thaís logo incorporou o clima das estações desta edição: como a maioria das modelos, ela está acostumada a usar roupas de inverno no verão - e vice-versa.

Pensando no frio que passou no primeiro dia, o modelo Ed Maquezini, de 26 anos, chegou de camisa de manga comprida, bota e calça jeans. "Meus vizinhos devem me achar louco. Sair assim com esse sol? Mas prefiro passar um pouco de calor no caminho a congelar aqui dentro."

Nos bastidores, os maquiadores levavam em conta que as modelos estariam sujeitas a mudanças de temperatura.

"Depois de prontas, elas saem para ir ao banheiro (fora da tenda), por exemplo. E lá fora está muito calor", disse Marcos Costa, responsável pelos looks felinos de Lino Villaventura, que desfilou ontem. Então, já faço uma maquiagem para não derreter nunca", explicou.

Frio leve. Para sorte das modelos, as roupas desta temporada foram produzidas para um inverno leve. Teve muita seda, musseline e renda - tudo sem forro.

Em sintonia com o clima tropical do País, grifes como João Pimenta e Uma, que também desfilaram ontem, trouxeram um inverno ameno. Pimenta investiu no homem dos anos 1930, que usava chapéus de feltro e calças curtas. Nada de sobretudos pesados, daqueles que nunca seriam usados no Brasil.

O mesmo valeu para a Uma, que apostou até no tricô, um dos materiais mais clássicos das coleções para o frio. Mas trouxe vestidinhos curtos, pernas de fora e tecidos leves - como seda, cetim e en jérsei. Clima mais brasileiro, impossível. A grife que apresentou roupas mais pesadas, porém, foi a Osklen, no primeiro dia do evento. Com o tema Montanha, a coleção tinha muito tricô e casacos para a neve.

Já o público sentiu as temperaturas baixas da sala de desfile: foi difícil para a plateia, que chegou até a bater os dentes. Preparada para os "altos e baixos climáticos", a modelo Thaís Custódio diz que difícil mesmo é fotografar ao ar livre. "Já peguei uma campanha de biquíni na neve. Daí, sim, é difícil", brincou.

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