Na rede pública paulista, fila chega a cinco anos

Em todo o Brasil, só há 9 centros credenciados pelo Ministério da Saúde para oferecer tratamento gratuito

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2014 | 02h16

Embora o tratamento de reprodução assistida seja oferecido em algumas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes que dependem da rede pública também enfrentam dificuldades na busca pela técnica. Em todo o País, há apenas nove centros credenciados pelo Ministério da Saúde para prestar o serviço gratuitamente. Em alguns locais, como São Paulo, a fila de espera é de cinco anos.

Referência em reprodução humana na rede pública em São Paulo, o Hospital Pérola Byington parou de agendar novas consultas em julho do ano passado, quando o tempo de espera para conseguir o tratamento chegava a cinco anos.

"Deixamos de atender novas pacientes para conseguir tratar as que já estavam na fila. Estamos próximos de atender todas que aguardavam e voltamos a agendar pacientes novos em março, mas, agora, só vamos atender quem tiver encaminhamento do posto de saúde", explica Mario Cavagna, diretor da gerência de reprodução humana do Pérola Byington.

Ele afirma que a decisão foi necessária para que as pacientes chegassem à unidade após passarem por triagem e exames. "Queremos otimizar o processo para poder atender mais gente", diz ele.

A educadora física Alessandra da Silva Gomes, de 37 anos, iniciou o tratamento no hospital no início de 2014, quase quatro anos após entrar na lista de espera. "Não achei que fosse demorar tanto. E o problema maior é que a gente sabe que, quanto mais o tempo passa, menor a chance de o tratamento dar certo", diz ela, que saberá amanhã o resultado da segunda e última tentativa de fertilização in vitro feita na unidade.

"Não é fácil lidar com a frustração de não ter uma família e ainda aguentar a pressão dos parentes e dos amigos perguntando sobre quando eu e meu marido vamos ter filhos. Era o que eu mais queria, poder sentar na mesa e almoçar com a família completa", diz. / F.C.

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