Na quarentena, projetos de solidariedade se espalham por São Paulo

ONGs e empresas fazem doações de alimentos e produtos de higiene para população vulnerável por conta da crise do coronavírus

Iolanda Paz, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 14h50

Em decorrência dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, redes de solidariedade se mobilizam na cidade de São Paulo para arrecadar contribuições a quem se tornou mais vulnerável com a crise. Uma dessas campanhas é a Solidariedade Para Mudar SP, uma iniciativa que nasceu de um grupo de estudantes para ajudar as famílias do cursinho popular Elza Soares, na Vila Prel. "Para as pessoas poderem ficar em isolamento social e em casa, elas precisam ter condições para isso", conta Luna Brandão, porta-voz da campanha. "Por isso, organizamos uma rede de doações de alimentos e produtos de higiene". 

O projeto cresceu e agora tem mais de 300 voluntários em diferentes partes da cidade, além do apoio de personalidades como Djamila Ribeiro, Petra Costa, Gregório Duvivier e Bárbara Paz. Os membros da rede recolhem as contribuições dos doadores e entregam para associações, centros de acolhida e famílias em situação de vulnerabilidade. Também conseguiram parcerias com algumas empresas como Nestlé, Starbucks e L'envie Perfumaria. Até mesmo moradores de outras cidades já os procuraram, buscando dicas para montar iniciativas parecidas, por exemplo a Ribeirão Solidária e a São Vicente Solidária

A campanha em São Paulo começou no dia 23 de março e até agora são mais de 700 doadores e 20 toneladas de alimentos distribuídos. Dentre as ações já realizadas, uma doação de alimentos foi feita na região do Fluxo, na Cracolândia. Foram entregues 150 marmitas para pessoas em situação de rua, além de 20 cestas básicas para famílias da favela do Moinho.

Também foi feita uma doação de cestas básicas no Palacete dos Artistas, um prédio da Prefeitura destinado a acolher, por meio de moradia social, artistas aposentados com dificuldades financeiras. Outra ação foi realizada no CRUSP, o conjunto residencial para estudantes da Universidade de São Paulo. Em razão do fechamento do restaurante universitário (popularmente conhecido como "bandejão"), foram entregues 3,5 toneladas de alimentos para moradores no campus do Butantã. A rede Solidariedade Para Mudar SP voltou também aonde tudo começou, na região do cursinho popular Elza Soares, que é coordenado pela Luna Brandão. Lá, no Campo Limpo, voluntários doaram cestas básicas para famílias em vulnerabilidade. 

Mais um projeto de solidariedade é o da empresa Wake Me Up, que fabrica bolinhos nutritivos e saudáveis. No vão livre do Masp, de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 14h, são doados de 400 a 500 kits para trabalhadores essenciais que não puderam parar na quarentena. São entregadores de delivey, policiais, motoristas de ônibus, carteiros, garis e profissionais da saúde – além de pessoas em situação de rua. 

A iniciativa começou no dia 3 de abril em razão do novo coronavírus, mas a própria empresa tinha nascido com uma causa social no início deste ano. A cada bolinho comprado, um outro era doado para uma instituição de auxílio ao combate à fome. O empresário Denilson Milan conta que não poderiam deixar de ter essa mesma responsabilidade agora com a quarentena e que as pessoas ficam muito contentes em receber a ajuda. Segundo ele, o bolinho deixa uma sensação de 3h a 4h de satisfação alimentar, o que pode fazer a diferença para quem está na rua trabalhando. 

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