Na prisão, Lindembergue altera agressividade e choro

Rapaz que seqüestrou adolescentes em Santo André está no CDP de Pinheiros, em São Paulo

Bruno Tavares e Carolina Dall'Olio, de O Estado de S. Paulo,

18 de outubro de 2008 | 13h31

Preso no CDP de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, Lindembergue Alves está sozinho numa cela do Segundo Pavilhão - ele não teria sido aceito pelos detentos do Primeiro Pavilhão. Ele chegou ao CDP por volta das 2 horas da madrugada deste sábado. Seu estado de humor, segundo oficiais que acompanharam o preso, sofria alterações bruscas: ora Alves mostrava-se extremamente agressivo ora choroso. Em alguns momentos, o seqüestrador mostrou-se transtornado. Ele só deve falar em juízo - seu advogado, Eduardo Lopes, renunciou ao caso logo após a invasão e, até a tarde de ontem, nenhum outro advogado teria aparecido para representá-lo.  Veja também: Eloá levou dois tiros e corre risco de mortePolícia invade, reféns são levadas e seqüestrador é preso 'O que deu errado foi o tiro que ele deu na menina', diz coronel Armas de policiais e seqüestrador são apreendidas para períciaConfira cronologia do seqüestro  Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SPPai de Nayara diz que foi ‘expulso’ pela PM de escolaGaleria de fotos do seqüestro   Lindembergue Alves poderá ser condenado a até 40 anos de prisão - o tempo máximo permitido no País para que alguém cumpra pena em regime fechado, porém, são 30 anos. Se Eloá morrer, o rapaz responderá por homicídio e também por tentativa de homicídio, contra a amiga Nayara. Pelos cálculos do advogado Ademar Gomes, presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo (Acrimesp), a pena pelo homicídio ficaria em torno de 12 a 30 anos e pela tentativa, de 6 a 18 anos. Se Eloá sobreviver, o ex-namorado será responsabilizado pelas duas tentativas de homicídio e ainda poderá haver outras agravantes.  O caso ainda terá qualificadores que só poderão ser definidos à medida em que o desfecho for esclarecido. Um deles poderia ser, por exemplo, motivo torpe.  Antes do desfecho trágico na noite de sexta-feira, dia 17, a situação de Alves era bem mais tranqüila. A pena, segundo especialistas, deveria chegar a 5 anos, somando cárcere privado, invasão de domicílio, porte ilegal de arma e disparo. Como era primário e tinha bons antecedentes, ficaria, no máximo, um ano e meio preso. Traficantes ameaçam Lindembergue A família de Lindembergue Alves, de 22 anos, está com sua vida ameaçada por traficantes que atuam no Jardim Santo André. Os bandidos deixaram de lucrar cerca de R$ 20 mil por dia, desde a segunda-feira, quando foi iniciado o cárcere privado de sua ex-namorada. Os parentes do rapaz estão sujeitos a represálias dos bandidos e podem deixar o prédio em que moram. Até mesmo na cadeia Alves correrá perigo. Os criminosos disseram que podem encomendar o assassinato do rapaz mesmo quando ele estiver encarcerado.  Na sexta-feira, após a saída da polícia, os traficantes expulsaram as equipes de reportagem e cortaram fios de transmissão de algumas emissoras de TV. Os prédios do CDHU ficam numa região isolada, com pouco policiamento ostensivo, o que favorece a atuação de traficantes. A polícia tem dificuldades de chegar aos prédios, que têm "bastante capilaridade", segundo os investigadores. Nesses dias, com a polícia no local, a venda de drogas ficou suspensa.  

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