Na prisão, Bruno fala do plano de jogar no Milan

Goleiro impressionou policiais pela tranquilidade e se espantou ao saber qual a pena por homicídio

Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

A tranquilidade de Bruno após a prisão impressionou quem esteve com ele. Por cerca de cinco horas, entre a chegada à Divisão de Homicídios, no Rio, e o momento em que foi recolhido à carceragem, onde dormiu no chão, sozinho, numa cela de 8 metros quadrados, Bruno pouco falou. "A impressão que tive é que ele não tem a menor noção do que é uma acusação por homicídio. Está aéreo, abobalhado, como se não estivesse percebendo o que o espera ou não acreditando que ficará preso", disse um policial da DH.

Acostumado a flashes, o ex-capitão do Flamengo não se mostrou abalado com a repercussão do caso. "É assim mesmo." Calado, mas demonstrando "incrível tranquilidade", só mostrou interesse quando o policial lhe disse qual costuma ser a pena por homicídio. "O quê? Isso tudo?", espantou-se, ao ouvir até 30 anos de cadeia. O jogador pediu mais detalhes e o policial citou o caso de um ex-PM que, no ano passado, foi condenado a 18 anos de prisão pela morte de um ganhador da Mega-Sena. Bruno lembrou do caso: "Mas qual foi a pena dele? Dezoito anos?", perguntou. Michel Assef, então seu advogado, respondeu: "Mas depois da condenação existe a progressão de regime e a pena cai bastante", explicou, antes de ser novamente interrompido pela curiosidade de Bruno: "E esse ex-PM pode ser solto quando?" Ao ouvir do policial que poderia ter de cumprir pelo menos 6 anos, abaixou a cabeça. O tema na sala mudou para o futebol. Bruno fez as contas e falou na Copa de 2014. "Tinha chance de ser convocado na próxima... Estava com o contrato do Milan nas mãos. Que chance vou perder...", lamentou, completando: "Mas não tenho nada a ver com essa morte. Isso vai ser provado."

Na mesma sala, o amigo do goleiro Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, ouvia a conversa. "Também tive minha chance de ser jogador. Cheguei a jogar pelo Goiás, mas tive problema no joelho e encerrei a carreira." Ao ser perguntado sobre como conheceu o goleiro, mudou o assunto: "Quem cuida da vida do Bruno sou eu. Compro carro, faço supermercado... A única preocupação dele é jogar futebol", disse Macarrão, que na visão do policial que acompanhou os dois "parece muito mais atrevido" . "Bruno parece ter um comportamento muito mais infantil."

Por volta das 23h30, quando o jogador soube da chegada à delegacia de J., testemunha-chave do caso, disse: " Ele não é meu primo de sangue. É de consideração", afirmou aos policiais, que conversavam sobre prisões ocorridas em Minas. Neste momento, também demonstrou interesse: "Quem foi preso lá?" Ao ouvir nomes de amigos e funcionários, mostrou-se surpreso. "Todos esses foram presos?" Bruno não perguntou pela mulher, Dayanne, também presa. E, depois, ficou quieto. Até ser levado à cela em que passaria a primeira noite preso - a mesma onde há 18 anos o ator Guilherme de Pádua ficou preso pelo assassinato da atriz Daniela Perez - não pronunciou mais nenhuma palavra.

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