TV Globo/Reprodução
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Na primeira entrevista após tragédia, dono de boate diz não saber que banda usava fogos

'Se eu soubesse, não deixaria', disse Elissandro Spohr; 237 pessoas morreram na tragédia, que completou sete dias no domingo

O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2013 | 02h03

Na primeira entrevista após a tragédia, Elissandro Spohr, o Kiko, dono da boate Kiss, disse ao Fantástico, da TV Globo, que a banda Gurizada Fandangueira não usava fogos durante as apresentações. "Vi, no mínimo, 30 shows deles. Nunca fizeram isso. Se eu soubesse, não deixaria". O depoimento foi ao ar nesse domingo, dia em que a tragédia que matou 237 pessoas em Santa Maria completou sete dias. Kiko, outro sócio da casa e dois integrantes do grupo Gurizada estão presos. 

Também em entrevista ao Fantástico, o percussionista da banda, Márcio dos Santos, desmentiu a versão de Kiko. "Ele sabia que usávamos. Eram sempre os mesmos fogos". O incêndio 97 pessoas hospitalizadas, segundo balanço divulgado nesse domingo. Os pacientes estão em hospitais de Santa Maria, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul e Ijuí e 35 deles ainda respiram com ventilação mecânica.

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul.

A tragédia começou às 2h30 do dia 27, um domingo, quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo- eram pais e amigos em busca de informações.

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