Na periferia, área de lazer fica abandonada

Em 7 parques faltam luz, água e segurança e sobram relatos de crimes e uso de drogas

Rodrigo Burgarelli e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2011 | 00h00

Na periferia, a inauguração de um parque não é garantia de área verde de qualidade - abertos incompletos ou deixados sem manutenção, os lugares são rapidamente depredados e deixam de ser utilizados pela comunidade. Dos 13 visitados pela reportagem, em sete casos há problemas como falta de água, luz, cercamento e seguranças. Como resultado, sobram relatos de assaltos, uso de drogas e prostituição dentro dos parques municipais.

Abertos sem contratação de seguranças, ou com número insuficiente de profissionais, quatro parques visitados pela reportagem estão há meses sem iluminação. Inaugurado em novembro de 2009, o Consciência Negra, em Cidade Tiradentes, zona leste, teve fiação elétrica roubada há um ano e meio e nunca reposta. No inverno, fecha mais cedo por falta de iluminação. Além disso, foi inaugurado incompleto: uma área de 400 metros quadrados até hoje está vazia, porque os brinquedos para os três playgrounds previstos para o local nunca chegaram. Nenhum dos seis bebedouros existentes no lugar funciona - uma torneira foi instalada precariamente pelos seguranças, para atender os visitantes que pedem água.

O Parque Linear Guaratiba, em Guaianases, na zona leste, também sofre com falta de manutenção. Desde o início do ano passado o local está às escuras, também por causa de ladrões que roubaram os fios de luz. Localizado ao lado de um terreno baldio ocupado, segundo relato de moradores, por usuários de drogas, o cercamento do parque nunca foi finalizado. "Do jeito que fica, prefiro dar toda a volta do que cruzar o terreno sem luz. E pior é que a promessa é que o parque iria ser um atalho seguro para não precisar passar pelas ruas do lado, que também são mal iluminadas", disse a dona de casa Isadora Alexandre, de 34 anos, moradora da região.

Há casos de parques abertos e simplesmente deixados ao léu, sem água, luz e seguranças. Em pouco tempo, equipamentos como quadras esportivas e bebedouros comprados pela administração acabam depredados. No ano passado, foram instaladas cercas, um quiosque e uma quadra esportiva no Parque Senhor do Vale, em Perus, extremo norte da capital. Deixado aberto e sem manutenção, o parque é hoje ocupado, segundo vizinhos, por viciados e garotas de programa. Aos domingos, o quiosque é utilizado para festas. "Trazem as garotas para lá e ficam a noite toda. Cansamos de chamar a polícia", disse a dona de casa Valdice Pereira, de 46 anos, moradora do local há 15 anos.

Abandono. A falta de manutenção também estragou as 2 mil mudas de plantas ornamentais compradas para lá. "É descaso total. Não adianta construir um equipamento e deixá-lo abandonado", disse Claudemir Bassoli, líder de associação de moradores. Troncos de árvores derrubadas dentro do parque nunca foram retirados. A quadra esportiva também foi totalmente pichada e, sem jardinagem, o mato cresce alto na área.

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