Na paisagem moderna, um casarão do século 18

Empreendimento teve de restaurar Casa Bandeirista e abri-la ao público

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2012 | 03h05

O reflexo está no vidro. No centro do imenso vão formado pelas torres do Pátio Victor Malzoni, uma casa do século 18 destoa na paisagem. Totalmente restaurada, faz parte das contrapartidas exigidas da Brookfield para erguer o empreendimento na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3.477. Quem passa por lá, até estranha. Em uma área verde com jabuticabeiras e goiabeiras, a Casa Bandeirista difere de qualquer outro prédio do Itaim-Bibi. Por ordem do Ministério Público Estadual, deve ficar lá e abrir ao público.

Para quem olha além do vidro, a imagem é de plena recuperação. Projetado pela arquiteta e urbanista Helena Saia, o restauro trouxe de volta as características originais do casarão, antes abandonado e em ruínas. O telhado, por exemplo, foi totalmente refeito para ganhar o aspecto clássico da época: estrutura de madeira e telhas em tamanho maior que o padrão atual. Só esse serviço teve a participação de 33 marceneiros.

Iniciado em 2007, o projeto sofreu uma paralisação judicial e foi retomado em março de 2011, sendo finalizado em janeiro deste ano. Hoje, são 2 mil m² de área tombada, ante os mais de 500 mil metros quadrados da propriedade original, localizada na época às margens do Rio Pinheiros. Com o tempo e a urbanização da cidade, todo esse espaço foi sendo ocupado a ponto de o terreno ser disputado a peso de ouro. A casa fazia parte da Chácara Itay, que deu origem ao nome ao bairro, e pertencia a uma família de bandeirantes.

O último uso da casa foi médico. O espaço abrigou o Sanatório Bela Vista. "O futuro ainda não está definido, mas espero que ela abrigue um local para meditação em meio à loucura da Faria Lima. Quem entra fica apaixonado. Por causa do enorme vão do prédio, a sensação é de estar em uma área rural", diz Helena. A urbanista, que assina a restauração com o arquiteto Alberto Magno de Arruda, aprova a mistura entre antigo e moderno. "Todos veem o reflexo no vidro."

À espera de autorização para abrir, o megaprédio finaliza os últimos preparativos. O casarão está pronto para visitação, pelo menos da área externa, sem muros nem grades. A abertura do interior da casa ao público ainda não tem data definida. / A.F.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.