Na mira da polícia, serviço de valets também irrita clientes

Donos de empresas flagradas cometendo irregularidades na Vila Madalena devem começar a ser ouvidos hoje em DP

RODRIGO BRANCATELLI, RODRIGO BURGARELLI E WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2011 | 03h01

Outra grande reclamação de quem come fora em São Paulo é com o serviço de valets. O primeiro problema é o preço. "Além de pagar caro no restaurante, cobram um absurdo para estacionar seu carro. Não é raro você querer parar para tomar um café de R$ 6 e ter de deixar R$ 20 para o serviço de valet. É desproporcional, um valor quase quatro vezes maior do que o que você gastaria", protesta a publicitária Daniela Valadares, de 30 anos.

Além do valor, há também o problema dos estacionamentos irregulares. Várias empresas de valet costumam utilizar ruas ao redor de zonas boêmias para estacionar os carros que, por lei, deveriam estar sendo guardados em garagens e estacionamentos oficiais. A prática é noticiada há anos, mas só na semana passada a polícia fez uma operação para punir por estelionato quem realiza a prática.

A ação ocorreu na quinta-feira da semana passada na Vila Madalena, região onde as empresas de valet costumam cobrar entre R$ 15 e R$ 20 para estacionar veículos de frequentadores dos bares e restaurantes. Policiais prenderam oito empregados de empresas de valet flagrados estacionando veículos na rua. Hoje, os donos das empresas devem começar a ser ouvidos pela polícia.

Segundo o delegado Aloízio Pires de Araújo, da 2.ª Delegacia de Crimes de Trânsito (DCT), é importante chegar até os proprietários para individualizar o indiciamento, atingir quem de fato lucra com o serviço irregular e não punir apenas os manobristas. "Também vamos ouvir os sócios proprietários dos valets para comprovar se realmente têm seguro de responsabilidade civil para manter os carros estacionados", afirmou.

A polícia também já iniciou o trabalho de vinculação de bares e restaurantes com os manobristas para responsabilizar os donos dos estabelecimentos. Na próxima semana, será a vez de donos de bares e restaurantes que têm algum vínculo com o serviço de manobristas prestarem depoimento. "Após o primeiro impacto na semana passada, já mapeamos as casas que oferecem ou contam com serviço de valet."

Avanço. Araújo diz que os manobristas de outras regiões da capital também serão alvo da polícia. "A operação começou agora, foi algo novo, mas vamos expandir para outros centros com grande concentração de bares e restaurantes."

Na quinta-feira passada, o delegado Osvaldo Gonçalves, responsável pela Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur) e um dos integrantes da força policial que agiu na Vila Madalena, afirmou que a prisão dos oito manobristas foi feita por amostragem, porque não haveria estrutura para autuar, ao mesmo tempo, todos os envolvidos.

A operação naquela região contou com 65 policiais e 20 viaturas, que chegaram ao local no fim da noite e saíram apenas no início da madrugada.

Entre outras irregularidades, a polícia descobriu veículos largados sem segurança e até chaves guardadas sobre um muro, cobertas apenas por folhagens. Um dos manobristas presos não tinha carteira de habilitação.

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