Na madrugada, festa, bar e até reza incomodam

O 'Estado' acompanhou numa noite o trabalho dos policiais; barulhentos raramente são punidos

, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

Às 23 horas do último dia 11, uma sexta-feira, uma festança para 800 pessoas estava prestes a ocorrer na Rua Malvina, numa área residencial do Morumbi. Cinquenta funcionários, entre técnicos de som e manobristas, faziam os últimos preparativos. Mas fiscais municipais, com o apoio de policiais militares, acabaram com a farra - interditaram o local, fecharam as portas para os baladeiros e garantiram o sossego da região.

Esse foi um raro caso em que uma balada irregular foi fechada sem causar muito transtorno aos vizinhos. Moradores descobriram antes que lá haveria uma festa e avisaram a Prefeitura, que pediu reforço à PM, conteve o agito e multou os donos da mansão em R$ 4 mil.

Mas a maioria das ocorrências de perturbação de sossego registradas no 190 não acaba tão bem. E os paulistanos têm de conviver com o barulho alheio.

O Estado acompanhou o trabalho do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) na noite da mesma sexta, entre as 21 horas e as 2 horas, e constatou o quanto os sons altos perturbam.

Igreja. O primeiro caso foi na Vila Mariana. Uma igreja presbiteriana, próxima da Rua Domingos de Morais, resolveu fazer um show com bandas. Mas moradores não gostaram da ideia e ligaram para o 190. Ao chegar ao local, o soldado da PM Cassiano de Paula ficou encarregado da diplomacia. Entrou na igreja e chamou o pastor Eli Moreira. De Paula explicou que a festa estava incomodando e pediu para baixar o som. Só que confessou que não poderia puni-lo e esperava que o religioso tomasse a atitude de bom grado. Constrangido, Moreira respondeu: "O evento está acabando". Logo depois, emendou: "Planejo instalar uma estrutura antirruído para não reclamarem".

Festas. Da igreja, a reportagem foi para o Morumbi, onde ocorria a festança. Quando o Estado chegou, três viaturas da PM já acompanhavam o fim da balada. Segundo a Subprefeitura do Butantã, o incômodo é comum. "Mansões vazias têm sido alugadas para festas irregulares", conta o subprefeito da área, Régis de Oliveira.

"Há ao menos uma a cada 15 dias", completa Caia Marrey, presidente da Associação Amigos da Cidade Jardim. Mas a Prefeitura só autuou oito eventos do tipo neste ano. "Quando flagro, à noite, ligo para o 190 para reclamar", afirma Caia. "É o único meio de se queixar de madrugada."

Por fim, a reportagem seguiu para Santana, na zona norte. Uma festa acontecia em um galpão. O Estado chegou ao local à 1 hora, mas a polícia só apareceu quase uma hora depois. Coube ao tenente Bruno de Souza negociar. "Se não baixarem o som, chamaremos o reclamante para irmos à delegacia", ameaçou. Um dos baladeiros prometeu encerrar a festa e a viatura foi embora. Pouco depois da saída da PM, para deses

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