Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Na madrugada de quinta, fumantes fazem despedida ao cigarro

A partir desta sexta-feira, fumar em ambientes coletivos fechados em SP fica proibido por causa da lei antifumo

Cristiane Bomfim, Jornal da Tarde

06 de agosto de 2009 | 17h12

Durante a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta, 6, a última em que acender um cigarro livremente em bares e casas noturnas ainda era permitido, fumantes aproveitaram para se despedir do hábito de soltar fumaça na noite de São Paulo. Nas mesas e balcões da casa noturna Fun House, no centro da capital, cigarros foram distribuídos gratuitamente.

 

Veja também:

mais imagens Galeria de fotos - A última noite com cigarro

especialOnde pode e onde não pode fumar em São Paulo

documento Imprima o seu próprio guia da nova lei

especialO tabaco pelo mundo

linkGoverno monta megaoperação para 1ª blitz

especialPágina especial com tudo sobre a lei antifumo

 

Na pista de dança, o DJ Fabrício Miranda, de 30 anos, manuseia o equipamento de som com o cigarro entre os dedos. "Não vou mais poder trabalhar fumando, terei de me adaptar". Com o tema "O Último Cigarro", a festa promovida pela casa noturna foi uma maneira divertida de lembrar os fumantes que, já na madrugada desta sexta, fumar nas dependências seria proibido por causa da lei antifumo. "Vai ser difícil, mas vou ou ter de ser um exemplo", disse o DJ, que está reduzindo a quantidade de cigarros por noite. "Antes fumava um maço por noite. Agora estou tentando ficar nos dez. De vez em quando vou dar uma saidinha da balada."

 

Entre um gole na bebida e uma tragada no cigarro, a lei do governador José Serra (PSDB) era o assunto principal. "Eu não estou preparado para esta proibição. Acho que o direito de liberdade dos fumantes deveria ser respeitado. Como vou fazer para fumar na balada agora? Eu sou viciada e estou aproveitando minhas últimas horas fumando um atrás do outro", afirmou a relações públicas Maria Clara Benvenuti, 23 anos. Para ela e a maioria dos fumantes, sair da balada ou abandonar a mesa do bar para ir à calçada dar uma tragada é um "desrespeito". "Muitas pessoas que saem a noite e frequentam bares e danceterias são fumantes que estão sendo prejudicados", disse Maria Clara.

 

Para escapar da vigilância, a saída será realizar festas e reuniões nas casas dos amigos. "Vamos frequentar menos a noite. Não há outro jeito já que não podemos mais fumar em muitos lugares. Vai rolar muita festa em casa", afirmou o jornalista Pedro Beck, de 24 anos. E nos dias em que curtir a noite for inevitável, ele diz que irá substituir alguns endereços. "Há bares que costumo ir e que agora não terá jeito de fumar. Vou substituir por outros que tenha área aberta."

 

Outros fumantes pretendem burlar a lei. "Você pega um drinque e automaticamente acende um cigarro. Vai ser muito difícil eu me acostumar com essa proibição. Acho que vai ter muita gente indo fumar nos banheiros das baladas e dando trabalho aos seguranças", comentou a estudante Ana Alice Ribeiro Simoni, 20 anos. A possibilidade de abandonar o cigarro foi descartada. "Eu adoro a sensação de fumar. Não pretendo parar".

 

O gerente da Fun House, Evandro Lopes, afirma que não será fácil controlar o vício dos frequentadores. "Vamos ter de ficar de olho. No geral, nossos clientes são conscientes, mas sempre terá um que se esconderá no banheiro para fumar ou vai esquecer e acender o cigarro quando pedir uma bebida."

Tudo o que sabemos sobre:
lei antifumocigarroSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.