Na lista de municípios, Goiânia está em último

Goiânia é a cidade mais desigual da América Latina, conforme o estudo da ONU. Na lista dos dez locais da região com maior índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, cinco são brasileiros.

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2012 | 03h01

Goiânia apresentou Gini de 0.65 (o índice varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 1, pior). Fortaleza é a segunda cidade da lista, seguida por Bogotá, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. O Rio de Janeiro aparece na 13.ª posição e São Paulo, na 19.ª.

O estudo da ONU destaca que a capital de Goiás passa por um processo de favelização, por causa da baixa oferta de habitações. O ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), porém, rebateu as informações da área de assentamentos humanos da ONU. "Em Goiânia não há favelas", diz, destacando que os dados "são absolutamente e visivelmente questionáveis".

"Eles inventam teorias, sem lógica ou fundamento", critica o ex-prefeito. "Em Goiânia há pobres, mas não miseráveis, e uma parcela é muito rica, como em Nova York, Paris, Londres", avaliou.

"Aqui não é e nunca foi o pior dos mundos", diz o promotor de Justiça e Urbanismo e Meio Ambiente, Maurício Nardini. Conforme o IBGE, Goiânia tem uma das melhores taxas de infraestrutura urbana no País, por ser uma das cidades mais arborizadas (89,5%). Procurado, o prefeito atual, Paulo Garcia (PT), estava em gravação, no primeiro dia de horário eleitoral, e não falou sobre o caso.

Fortaleza. Já na capital cearense, segunda no ranking, com um índice Gini acima de 0,60, os especialistas defendem o trabalho da ONU. Um estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC) destaca o contraste local entre edifícios luxuosos à beira-mar e em bairros nobres - ao preço de R$ 5 milhões - e casebres à beira de rios sem nenhum saneamento básico. O último levantamento divulgado pelo Laboratório de Estudos da Pobreza da UFC, de 2008, aponta que o custo econômico da desigualdade em Fortaleza alcança mais de R$ 4 bilhões. Isso representa mais de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará.

Os pesquisadores da UFC ressaltam que a distribuição de renda deveria se constituir em um ponto de reflexão na agenda de desenvolvimento do governo para esta década. Para eles, todos os esforços governamentais deveriam ser conduzidos para diminuir uma desigualdade causada principalmente pela vinda anual de 40 mil pessoas para áreas pobres da periferia.

A pesquisa sinaliza que Fortaleza precisa investir R$ 160 milhões ao ano em transferência de renda. Dessa forma, quase 400 mil fortalezenses com renda per capita mensal inferior a um oitavo do salário mínimo poderiam sair da linha da pobreza extrema. /FELIPE WERNECK, RUBENS SANTOS e LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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