Na Europa, 1 em 4 jovens não tem emprego

Índice de desemprego é alto em Espanha e Grécia; no Brasil apresentam melhora na última década

O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2013 | 02h03

Apesar de citada na viagem ao Brasil, a preocupação do papa Francisco em relação à baixa oferta de postos de trabalho para a população jovem é direcionada especialmente ao continente europeu, onde o desemprego afeta um em cada quatro jovens, em média.

Em alguns países, porém, esse índice chega a dobrar. É o caso da Espanha, onde a taxa atual de desemprego na população de até 25 anos é de 55%. A Grécia ainda supera essa marca, alcançando 64%, de acordo com dados da Comissão Europeia, e registrando a situação mais preocupante da Europa.

No Brasil, os números indicam uma melhora na última década. Em 2002, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 22,6% dos jovens brasileiros não tinham emprego. Em 2012, essa taxa caiu para 13,7%, mas ainda representa o dobro do índice registrado para a média da população. Em maio, o desemprego geral no Brasil ficou em 5,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a economista Ana Belavenuto, não apenas a política econômica explica a diferença entre os índices de desemprego por idade, mas também as próprias características dos jovens. "Eles entram no mercado de trabalho sem experiência, mas com alta expectativa em relação a salário e também em relação à possibilidade de ascensão hierárquica. Quando uma delas é frustrada, muitos optam por procurar outras oportunidades ou mesmo voltam a estudar", afirma.

Essa mobilidade, no entanto, pode deixar a juventude ociosa e o mercado, retraído. Em maio, segundo a pesquisa mensal do IBGE, uma "parte expressiva" das 949 mil pessoas desempregadas no Rio e em São Paulo era formada por jovens dos dois Estados.

Demissão. Se por aqui, a situação desperta atenção, na Europa ela chega a ser desesperadora. Estima-se que, a cada dia, 6 mil trabalhadores na zona do euro sejam demitidos. Em um ano, conforme as informações do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), 2,1 milhões de europeus perderam o emprego.

Para tentar mudar esse quadro, os 27 países da União Europeia chegaram a um acordo, no fim do mês passado, para investir até € 8 bilhões entre 2014 e 2015 na criação de postos de trabalho para jovens - aplicar recursos em programas específicos é uma das "reivindicações" de Francisco. Como disse, ele teme o risco de o mundo ter uma geração que não trabalha. O Plano de Luta contra o Desemprego Juvenil visa a estimular o financiamento de novas micro, pequenas e médias empresas (PMEs), além de criar mecanismos de formação profissional, estágio e de aprendizagem./ADRIANA FERRAZ

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