Na era web, síndico vira missão para profissional

Com o maior número de encargos e exigências do trabalho de síndico, gerir um condomínio está cada vez mais parecido com administrar uma empresa e consolida-se em São Paulo a figura do "síndico profissional". Geralmente, ele não mora no prédio que administra, é contratado - de acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi), por valores que oscilam entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil mensais - e pode cuidar de vários locais simultaneamente.

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

"A necessidade surge, geralmente, quando há esgotamento grande das relações interpessoais entre os moradores de um condomínio", observa Claides Renner, síndica profissional há seis anos - atualmente, cuida de dois prédios na Vila Mariana, um em Higienópolis e um na Riviera de São Lourenço, em Bertioga. "Essa situação dificulta a disposição dos condôminos em assumirem o posto", completa ela. "Em 100% dos casos em que um profissional é contratado, é porque nenhum morador quis o lugar."

Assembleias online. Sob a gestão de Claides estão, no total, cerca de mil moradores. "Não conseguiria ser síndica se não fosse pela internet. Resolvo 90% dos problemas pelo computador", diz ela, que costuma ficar online grande parte do dia. "Às vezes, recebo e-mail meia-noite, 3 horas. Se tem uma festa muito barulhenta no salão, preciso tomar providências imediatamente."

Seu sonho é um dia poder realizar até assembleias online - algo que hoje, necessariamente, precisa ser presencial. "Queria realizá-las por meio de videoconferência", deseja. Isso talvez melhorasse a participação - de acordo com dados da Lello Condomínios, atualmente 70% dos moradores não têm o hábito de comparecer às assembleias.

Enquanto isso não ocorre, a internet vem reduzindo as geralmente detestáveis reuniões de condomínio. "Minha mãe é subsíndica de um condomínio antigo, onde eles não usam a internet. Lá, o conselho se reúne uma vez por semana ou, no máximo, a cada 15 dias. E há reunião geral bimestralmente", comenta o analista de sistemas Luís Fernando de Castro Costa, de 37 anos, síndico de um condomínio em São Bernardo. "No meu prédio, encontro-me fisicamente com os conselheiros duas ou três vezes por ano, no máximo."

Desde a primeira reunião de condomínio, ele tornou público seu endereço de e-mail e pede para que os moradores o procurem, preferencialmente, pela internet. Criou também um e-group (grupo de discussões na web). Quando alguma decisão precisa ser tomada, todos já chegam informados às reuniões.

Formação. Para quem pensa em ser síndico profissional, um possível caminho para aprender as técnicas da profissão são os cursos do Secovi. Desde o ano 2000, a instituição oferece aulas de Manutenção Predial, Segurança Predial e Administração de Condomínios, entre outros. Os valores variam de R$ 176 a R$ 1.785 - associados têm desconto.

O vice-presidente do Secovi, Hubert Gebara, entretanto, não indica a condomínios a contratação de um síndico externo. "Entendemos que o ideal é que seja um morador do condomínio", ressalta. "Só assim ele sentirá na própria pele o impacto da gestão." Suas ressalvas são para condomínios muito grandes ou com poucos moradores, de alto padrão - onde costumam faltar candidatos à vaga.

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