Na crise, cresce a influência do MP e do procurador-geral

Márcio Elias Rosa ajudou apaziguar ânimos entre Ferreira e Cardozo, além de indicar o nome de Grella para secretário de Segurança Pública

Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo,

23 Novembro 2012 | 02h11

A mudança na cúpula da Segurança Pública de São Paulo teve um personagem importante que aumentou seu poder e influência. Trata-se do procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa. O chefe do Ministério Público Estadual foi um dos homens que serviram de intermediários entre os governo do Estado e federal para aparar as arestas causadas pelo bate-boca entre o então secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Márcio conhecia Cardozo. O papel de apaziguador na crise o aproximou do governador Geraldo Alckmin, que conversou com ele sobre a indicação de um nome para substituir Ferreira. O procurador propôs Fernando Grella Vieira, seu antecessor na direção do MPE e principal aliado na instituição - sugestão aceita por Alckmin.

A experiência e o prestígio de Grella eram o que o governador procurava para o cargo. Mas não foi apenas o poder de Márcio que aumentou com a ida do ex-procurador-geral para a Segurança Pública. A força no governo do MPE também cresceu. De fato, a mudança na Segurança não foi uma mera substituição de um procurador de Justiça (Ferreira Pinto) por outro (Grella). Prova disso são as consultas a colegas de Ministério Público feitas por Grella para definir a composição da cúpula das Polícias Civil e Militar.

Além de Márcio, foram ouvidos os procuradores Pedro Franco de Campos e Arnaldo Hossepian - ambos trabalharam na Segurança Pública - sobre possíveis nomes para ocupar cargos como o de delegado-geral. Por fora, Saulo Abreu, também procurador de Justiça e ex-secretário de Segurança (é o atual titular dos Transportes), também busca influenciar as escolhas de Grella para emplacar seus homens - muitos deles afastados por Ferreira Pinto - em postos importantes. Para o Ministério Público e seus procuradores, o desafio será conciliar a proximidade com o poder e o aumento de influência no governo com a independência que a instituição precisa ter para o exercício de sua função no combate ao crime organizado e na investigação de casos de corrupção e de violência policial.

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