Ítalo Lo Re
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Na Charanga do França, carnaval volta ao antigo normal e reúne foliões e animação

Bloco fechou rua na Santa Cecília e instalou banheiros químicos nas duas extremidades; CET auxiliou trânsito

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2022 | 14h13

O domingo animou os paulistanos, que aproveitaram os blocos de carnaval fora de época, e possivelmente esse é o dia mais agitado do festejo, que começou na quinta-feira, feriado de Tiradentes. O público, por exemplo, fechou a rua Imaculada Conceição, no bairro Santa Cecília, em cortejo da Charanga do França.

Com muito glitter e purpurina, milhares de foliões estiveram presentes na concentração e desfilaram no sentido da Alameda Barros, próxima à estação de metrô Santa Cecília. Por ser uma região movimentada, ao menos quatro carros da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foram deslocados para organizar o trânsito durante o desfile, mas não houve policiamento. O bloco começou a tocar a partir das 9h.

No repertório deste domingo, estiveram presentes desde clássicos como "Sonífera Ilha", dos Titãs, a hits mais recentes, como "Parado no Bailão", do MC L da Vinte. "É um dos blocos mais legais, ficou difícil não vir", diz a arquiteta Giuliana Martini, de 48 anos. Moradora da Vila Buarque, ela chegou ao cortejo por volta de 9h acompanhada de uma amiga.

As duas estrearam no carnaval fora de época neste domingo de sol e mantiveram o uso da máscara de proteção contra a covid, ainda que ornamentada por lantejoulas. "É por tudo que representa. A máscara é um símbolo de que a pandemia não acabou, de que ainda tem muito o que fazer", diz a médica Maria Amélia Veras, de 63 anos, que mora em Pinheiros.

O vendedor Vicente Ferrer, de 36 anos, diz ter ouvido comentários positivos sobre a Charanga do França, por isso optou por se deslocar da região do Brás, onde mora, até Santa Cecília. "A gente ouviu falar muito bem dele, e é organizado, mesmo que não tenha tido apoio da Prefeitura", explica. O vendedor também participou do Bloco do Fuá, realizado no Bixiga na tarde do sábado.

Com o domingo de céu aberto e sol forte, Vicente planejava seguir para o Acadêmicos do Baixo Augusta, na região do Anhangabaú. "Para esse teve que retirar o ingresso no site, mostrar comprovante de vacina, foi uma coisa bem legal", diz o vendedor.

Carnaval em julho divide opiniões

O folião desfilou na Acadêmicos do Tatuapé na madrugada de sexta para sábado, e diz que ainda tem "muita lenha para queimar" caso um novo carnaval de rua seja realizado em julho, o que foi proposto recentemente pela Prefeitura. "É até legal porque em julho eu vou estar de férias, vou aproveitar duas vezes", explica.

Mas nem todos seguem o mesmo ritmo. "Hoje estou cansada, já aproveitei muito nos outros dias", afirma a economista e professora universitária Lígia Cestari, de 34 anos, que saiu da Vila Mariana. Além da Charanga do França, ela foi a blocos como o Saia de Chita e o Cornucópia. Em julho, Lígia não poderia acompanhar um novo carnaval fora de época porque estará fora do Brasil.

Moradoras de Pinheiros, a administradora Mariana Almeida e a arquiteta Luiza Guimarães, de 26 e 28 anos, aproveitaram o domingo na Charanga do França para tentar pegar o ritmo do carnaval. "Ontem (sábado) foi o único dia que nós fomos, porque nos outros dias a gente trabalhou", dizem. As duas compareceram ao Água Preta, em Perdizes.

"A gente não ia curtir o carnaval, mas decidiu vir de última hora. Está esquisito, estamos pegando no tranco", diz Luiza. Em seguida, elas planejavam ir para o bloco Te Pego no Cantinho, no Butantã.

Sobre a proposta para o carnaval em julho, elas não se mostram tão animadas. "Vai estar frio, aí já acho que é invenção demais. Carnaval é calor", diz Mariana.

Com a falta de apoio da Prefeitura, algumas táticas paliativas têm sido adotadas neste carnaval fora de época. Neste domingo, foram instalados pela organização da Charanga do França dois banheiros químicos em cada extremidade do quarteirão de onde o desfile saiu. Recentemente, a Charanga promoveu, por meio das redes sociais, uma campanha para receber doações via Pix e, assim, viabilizar a saída do grupo. Até o último balanço divulgado, pouco mais de R$ 8 mil haviam sido arrecadados.

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