Na casa de traficante, piscina e jacuzzi

Parecida por fora a imóveis da vizinhança, residência guardava dentro objetos de luxo

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2011 | 03h02

A segunda escadaria da Rua 2, na parte alta da favela da Rocinha, é composta por barracos e casebres muito pobres. Como em boa parte da comunidade, os fios da rede elétrica correm soltos, as construções são inacabadas e as residências se apinham umas nas outras.

O fim desse corredor de miséria, no entanto, esconde um imóvel de três andares, com ar-condicionado, piscina, banheira de hidromassagem e eletrodomésticos de primeira linha.

A casa pertencia ao traficante Sandro Luiz de Paula Amorim, o Peixe (ou Lindinho), ex-chefe da quadrilha que dominava o Complexo de São Carlos, no centro do Rio, e um dos cinco traficantes presos na última quarta-feira quando tentavam escapar da Rocinha escoltados por três policiais civis e dois ex-policiais militares - que também foram parar na cadeia.

Por fora, a casa não se diferencia dos demais imóveis da escadaria. O luxo está todo no interior. Na sala, equipamentos de som, TV de LCD e muita bebida alcoólica. A divisão entre os ambientes no primeiro piso mostra que o traficante gosta de seu apelido: a sala e a cozinha são separadas por um enorme aquário com peixes ornamentais.

A disposição de móveis e objetos da casa revela que Peixe tem duas filhas pequenas. Os quartos estavam cheios de brinquedos. Mas a bagunça mostra a tristeza de duas crianças que, com o pai traficante preso, foram obrigadas a fugir de casa deixando tudo para trás.

No segundo piso fica a piscina, a churrasqueira e a suíte do traficante. Peixe tinha banheira de hidromassagem, frigobar e minibar no quarto. Na cabeceira, o livro A Arte da Guerra, do chinês Sun Tzu.

Próximo à casa de Peixe, também foi descoberta uma das casas do traficante Nem. Tem churrasqueira, piscina e vista para a praia de São Conrado. Também é possível avistar a Pedra da Gávea e toda a favela da Rocinha. O secretário José Mariano Beltrame não planeja usar a casa como um posto da UPP. "A prisão desse elemento não significa e nem vai significar um troféu. O troféu é a retomada do território", reforçou. / ALFREDO JUNQUEIRA

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