Na Câmara, vereadores abafam CPI

A maior parte dos vereadores paulistanos não vê necessidade de a Câmara Municipal investigar a suposta fraude no contrato da Prefeitura com a Controlar. Com ampla base governista e apoio até do PSDB, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) viu ontem aliados minarem um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. A oposição não conseguiu apoio nem para convocar o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, que também teve os bens bloqueados pela Justiça.

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2011 | 03h04

Apenas 13 dos 55 vereadores - 11 petistas, Tião Faria (PSDB) e Aurélio Miguel (PR) - assinaram até ontem à noite o pedido de abertura da CPI da inspeção veicular. "É um assunto que está sendo politizado. O Ministério Público já está acompanhando o caso, não há necessidade de ser aberto procedimento na Casa", argumentou o líder do PSD, Marco Aurélio Cunha. Outros líderes saíram em defesa do prefeito e minaram qualquer possibilidade de o caso ser levado a plenário, como Celso Jatene (PTB) e Wadih Mutran (PP). "Tecnicamente nem é possível implementar CPI antes do fim do ano. Já temos duas em andamento (Acessibilidade e Apagão)", disse Cláudio Fonseca (PPS).

Caso a bancada de sete vereadores do PSDB assinasse a CPI, a investigação seria aberta. Mas não houve consenso na bancada. "Não podemos surfar na onda do PT e cair no denuncismo pelo denuncismo", disse Floriano Pesaro. Ele disse que se reuniria com a bancada para tomar posição em relação ao assunto.

Vereadores de oposição discursaram ontem sobre caso por pouco mais de uma hora. Alguns deles, com medo de terem favores negados nas subprefeituras em ano de eleição, não assinaram o pedido de CPI. Outro motivo para o receio seria o fato de a Controlar agregar empreiteiras que são doadoras de campanha para dezenas de partidos políticos. "O papel da Câmara de fiscalizar o Executivo precisa ser cumprido em um caso tão grave como esse. Pena o PSDB não considerar necessária a investigação", criticou Antonio Donato (PT).

Não é a primeira vez no ano que Kassab mobiliza sua base para evitar uma CPI. Em junho, o prefeito acionou aliados para minar pedido de comissão para investigar a criação do PSD.

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