Na Billings, obras para reduzir impacto

Preocupação antes era remover comunidades do entorno; agora, R$ 4,5 bilhões já foram investidos para melhorar a qualidade de vida

O Estado de S.Paulo

29 Abril 2012 | 03h06

Quando as invasões no entorno da Represa Billings começaram a se intensificar, no começo dos anos 1980, foram vistas como uma ameaça à cidade por estarem à beira de manancial. Logo, surgiram planos de remoção em massa. As cheias constantes e as péssimas condições sanitárias tornavam degradantes as condições de vida na região.

Com o tempo, sem ter como deter os loteamentos clandestinos e a chegada de mais e mais famílias, urbanistas, autoridades e moradores passaram a procurar soluções para tentar reduzir o impacto das moradias na represa.

Desde 2005, só na cidade de São Paulo, já foram investidos R$ 4,5 bilhões em urbanização. A conta é repartida entre Prefeitura, Estado e governo federal. E envolve grandes empreiteiras, como OAS, Camargo Correa e Planova, com condições de fazer empreendimentos em grande escala, impossíveis de serem feitos nos tradicionais mutirões.

"A urbanização de favelas é uma boa solução por aproveitar o terreno que a população já mora, com todos os laços sociais", garante a superintendente de Habitação Popular da Prefeitura, Elisabete França.

Para fazer os programas habitacionais andarem, surgiram até mesmo grandes empresas especializadas em gerenciamento social, caso da Diagonal. Elas fazem o levantamento do perfil das populações que devem receber os investimentos e organizam discussões entre moradores e autoridades para que eles decidam sobre as soluções urbanísticas.

Custo. Com o dinheiro investido, já foram beneficiadas, segundo cálculos da Prefeitura, 120 mil famílias. Se todo esse recurso fosse usado para a construção de apartamentos, seria possível construir 65 mil unidades habitacionais. "Essas soluções precisam ser aperfeiçoadas e melhoradas. Existem aspectos que ainda exigem atenção da Prefeitura", alerta o arquiteto Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). "O processo de adensamento dos locais urbanizados deve ser visto com atenção. Além disso, outros programas sociais de habitação não devem ser abandonados, como os de moradia na região central e as construções de novos prédios."

No projeto dos mananciais, em vez de retirar a população do local para evitar a poluição das águas, a urbanização de favelas já fez mais de 60 quilômetros de rede de esgoto serem construídos nos arredores. As casas nas margens da represa estão sendo retiradas para dar lugar à construção de parques lineares.

Melhorias. Para aqueles que ficaram, a antiga Favela Lago Azul virou uma espécie de balneário. Píer e plataformas de madeira, que formam um longo calçadão cortando os eucaliptos da beira da represa, criam um ambiente agradável.

Como a poluição já diminuiu bastante, crianças e adolescentes nadam e brincam dentro da represa. Pequenos barcos de moradores saem para pescar, agora sem o mesmo medo de comer peixe intoxicado. Um dos homens que pescava disse que na represa já se consegue pegar tilápias, traíras e carpas.

O contraste e os resultados da urbanização ficam evidentes ao se observar o outro lado da represa, a menos de 100 metros do Residencial dos Lagos.

Contraste. No Cantinho do Céu, cujas obras de urbanização ainda não terminaram, os barracos chegam a resvalar nas águas da Billings, em uma encosta que coloca os moradores em risco durante as chuvas. Todos serão retirados.

Na sexta-feira da semana retrasada, quando a reportagem visitou o local, a água da represa havia baixado e, nas margens do Cantinho do Céu, também era possível ver um cemitério de carros roubados. Olhando da parte urbanizada da favela, as carcaças enferrujadas pareciam uma instalação artística a enfear a represa. / BRUNO PAES MANSO

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