Na Bahia, governo diz que 85% da PM voltou ao trabalho

Comando diz que só 'uma pequena minoria" agora resiste; impasse está em como será paga a Gratificação por Atividade Policial

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h06

A greve de policiais continuou a perder força ontem na Bahia. Segundo o comandante-geral da PM, coronel Alfredo Castro, 85% do efetivo policial está trabalhando em Salvador e região metropolitana e 80% dos policiais estão nas ruas no interior. Para ele, na maior parte do Estado, o policiamento é "normal". "Tudo tem início, meio e fim. E, na minha ótica, o fim da greve está decretado", avalia o comandante. "Agora, existe apenas uma minoria que resiste à convocação do comando."

O coronel admitiu, porém, que ainda haver pontos com carência de policiais. Ele citou a área do Subúrbio Ferroviário e o bairro de Cajazeiras, em Salvador, além da região sul do Estado e do município de Paulo Afonso, no norte baiano. "Nesses casos, temos o reforço de tropas de reserva, como o Choque, e de unidades especializadas, como a da Caatinga", diz, ressaltando que o Exército continuará reforçando o policiamento ostensivo "até que a sociedade se sinta segura".

Em Salvador, as escolas da rede estadual e a maioria da rede particular funcionaram normalmente. Nas da rede municipal, as aulas estão canceladas até que a greve seja oficialmente concluída. O comércio também abriu as portas, apesar de o fluxo de clientes ainda ser menor que o normal.

Grevistas. Lideranças do movimento grevista contestam os dados apresentados por Castro e afirmam que a greve está mantida. "Em muitas cidades, 100% da tropa está parada", afirma o soldado Ivan Carlos Leite, sem saber listar os municípios. "Esse tipo de agressão do governo, de ameaçar com punições, como o corte de ponto (veja ao lado), só serve para inflamar ainda mais os ânimos dos grevistas. Nós temos brios e já mostramos do que somos capazes."

Após a prisão do presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), Marco Prisco, os policiais elegeram uma comissão de oito PMs, para representar o movimento, entre eles Leite.

PMs cobram do governo o pagamento integral neste ano da Gratificação por Atividade Policial de nível 4 (GAP 4) e o depósito da GAP 5 em 2013. O governo propõe começar a pagar a GAP 4 em novembro e pagar a GAP 5 a partir de 2014. "Não há possibilidade de negociação sobre esses pagamentos, porque, com eles, o governo atinge o limite da lei de responsabilidade fiscal", afirma o secretário da Casa Civil, Rui Costa. "Essas gratificações vão causar impacto de R$ 173 milhões no orçamento do ano que vem e de R$ 490 milhões em 2014."

Em assembleia na noite de ontem, os PMs decidiram manter a paralisação. Eles não mudaram as reivindicações definidas na noite de anteontem e ainda agregaram um pedido de anistia aos PMs que continuam parados. O governo decidiu cortar o ponto para os grevistas desde as 12h de ontem. Uma nova assembleia da categoria foi agendada para hoje, às 16h.

Os PMs que voltaram ao trabalho, mas que seguem mantendo "greve branca" nas ruas, apenas olharam a passeata, iniciada após a assembleia, de dentro de suas viaturas. O trânsito congestionado pela passeata e a possibilidade de manter a greve irritaram a população. "Eu também vou parar e pedir que aumentem o preço do coco", reclamou a ambulante Lucineide Santana, de 34 anos.

Revolta. Outra passeata que parou o centro da capital baiana ontem foi a dos cerca de 600 agentes de Saúde da Prefeitura de Salvador que também entraram em greve. Com salário mensal de R$ 510, os agentes pedem um piso salarial fixo de R$ 850. Eles são responsáveis pelas ações de combate à dengue na capital baiana.

Segundo Enádio Pinto, presidente da Associação dos Agentes de Combate às Endemias (AACES), a Prefeitura não respondeu à maioria das reivindicações da categoria nos últimos anos, o que levou à greve. "Estamos pedindo bem menos da metade do que a PM já recebe (R$ 2,4 mil mensais). Nossas famílias estão passando necessidade", disse.

A passeata pela Avenida 7 de Setembro complicou o trânsito no centro histórico e na região do Pelourinho. E os agentes prometem suspender na semana do carnaval todas as visitas a residências para combater focos do mosquito transmissor da dengue. / COLABOROU DIEGO ZANCHETTA

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