Na Assembleia, o risco é de verticalização

Próxima da Rua da Carioca, a tradicional Rua da Assembleia, onde se situa o Palácio Tiradentes, atual sede da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), também entrou na mira das empreiteiras. Os prédios de números 81, 83, 85 e 87, em estilo colonial, foram recentemente adquiridos pela Even, que pretende construir um moderno edifício comercial no local.

O Estado de S.Paulo

18 Março 2013 | 02h07

No térreo do prédio 81, funciona desde 1941 o Restaurante Columbia, que tem entre os sócios parentes do ex-ministro da Saúde do governo Lula, José Gomes Temporão. Edson Monteiro, sócio do estabelecimento desde 1992, não revelou o valor da transação com a Even, mas disse que o estabelecimento vai fechar as portas no dia 30 de maio. Todos os 21 funcionários do restaurante, cuja especialidade são peixes e frutos do mar, já foram comunicados. "São muitos anos de trabalho. Chegou a minha hora de descansar." Segundo Monteiro, o outro restaurante da família Temporão, o Mosteiro, próximo do Mosteiro de São Bento, também no Centro da cidade, não será fechado.

O comércio que funciona no térreo dos prédios vizinhos ao do Columbia também está se preparando para encerrar as atividades. Uma das lojas, a do edifício 85, já está com as portas fechadas. No edifício 87, uma loja de roupas (cujo letreiro está coberto com uma lona preta) anuncia em sua vitrine liquidação de até 60%. E no prédio 83 ainda funciona uma livraria.

No século 18, a via chamava-se Rua da Cadeia, por causa da localização da Cadeia Velha, onde hoje fica o Palácio Tiradentes. No século seguinte, passou a ser Rua da Assembleia, uma vez que no Palácio onde hoje é a Alerj funcionava a Câmara de Deputados do Império. Foi pela Rua da Assembleia que, em 21 de abril de 1792, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que estava preso na Cadeia Velha, caminhou na direção da forca instalada no Largo da Lampadosa.

A empresa. Procurada pelo Estado para falar sobre o edifício que será construído no local, a Even limitou-se a informar que "não comenta projetos em desenvolvimento". /MARCELO GOMES

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