Na área do luxo e das mansões, 14 pessoas mortas

Oito vítimas eram da mesma família; entre elas, a estilista Daniela Conolly e seu pai, empresário que comemorava ontem aniversário

Paulo Sampaio, Márcia Vieira e Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2011 | 00h00

O empresário Armando Erik, ex-diretor da corretora Atlântica Boa Vista, ia comemorar seu aniversário ontem com a família em uma casa que alugou do advogado e amigo Antônio Alberto Gouvea Vieira, no Vale do Cuiabá, uma das regiões mais sofisticadas de Petrópolis.

Antônio Alberto é irmão de Eduardo Eugênio Gouvea Vieira, presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).

A comemoração do aniversário se transformou em uma tragédia, quando a catástrofe que atingiu a região fez transbordar o Rio Santo Antônio, que corta a região, inundando a casa, derrubando paredes e afogando oito pessoas da família - o próprio Armando, a mulher, Kitty, a filha do casal, Daniela, o marido, Alexandre França, e o filho deles, João Gabriel. Morreram ainda três netos do aniversariante, além da babá de uma das crianças e cinco outros hóspedes da casa.

O filho de Armando, o economista Erick Conelly de Carvalho, executivo da holding do Grupo Icatu, que estava no Rio, conseguiu resgatar sua mulher e a filha mais velha de helicóptero e levá-las para o hospital Copa D"Or, na zona sul do Rio, onde elas permanecem internadas.

Conhecida no meio da moda no Rio, a irmã de Erick, a estilista Daniela Conelly, que tinha 39 anos, estudou na Parsons School of Design, em Nova York, e chegou a fundar uma grife, a Koolture. A notícia entristeceu o Fashion Rio.

Tsunami de rio. "Meus enteados estão lá. Contaram que parecia um tsunami de rio", disse a vereadora Andrea Gouvêa Vieira, casada com o empresário Jorge Hilário Gouvêa Vieira, irmão de Antônio Alberto.

Segundo Andréa, a enxurrada que veio do Rio Santo Antônio inundou toda a área do vale, deixando a região devastada.

"A casa ficou praticamente submersa, uma parte caiu e eles não conseguiram sair. Estamos todos em estado de choque. Ninguém consegue chegar lá, a não ser de helicóptero."

No Copa D"Or, Erick Conolly não quis dar entrevista. Aos prantos, esperava notícias da mulher e da filha. Até o fechamento de edição, o hospital não havia divulgado boletim com o estado de saúde das duas.

Prejuízo. Também no Vale do Cuiabá, a luxuosa Pousada Tambo Los Incas foi totalmente destruída. "Graças a Deus não havia nenhum hóspede", disse a proprietária, Gilka Leite Garcia. "Minha família é dona dessa propriedade desde 1928 e nunca aconteceu nada parecido."

O Rio Cuiabá, ao lado da pousada, transbordou e as águas subiram até atingir o telhado. "A última coisa que meu caseiro conseguiu dizer antes de fugir foi que parte da pousada tinha desaparecido completamente", conta Gilka. Ela não pensa em reconstruir a casa. "Se aconteceu uma vez, pode acontecer de novo. Não posso arriscar."

Dois haras da região também foram atingidos. Segundo o Jockey Club Brasileiro, em um deles, o Centro de Treinamento Vale do Cuiabá, o filho de um funcionário foi arrastado. Cavalos morreram e, feridos, outros terão de ser sacrificados. Em outro haras, o Santa Maria, pelo menos três pessoas morreram.

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