Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Na Água Branca, denúncia de descaso com animais

Segundo frequentadores, animais do parque na zona oeste não têm alimentação adequada nem cuidados médicos

MARICI CAPITELLI, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2011 | 03h02

Gansos, patos, galinhas, tartarugas e outros bichos do Parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, não recebem alimentação suficiente e não têm veterinários para tratá-los. A denúncia é de usuários que, por conta própria, alimentam os animais e os encaminham a consultórios particulares.

Os maus-tratos aos bichos também já foram denunciados pela Associação Preserva São Paulo e Movimento SOS Parque da Água Branca em reuniões e audiências públicas, a última vez em setembro. A direção do parque nega as acusações e diz que os animais são bem tratados.

A advogada Rejane Beatriz Alves Ferreira, de 55 anos, alimenta os animais todos os dias das 6h às 8h30. Ela gasta mensalmente cerca de R$ 1,5 mil só com comida. Há ainda o custo com tratamento veterinário para os animais doentes, que varia de acordo com a espécie e o problema de saúde.

"Os sacos de milho chegam para a alimentação. Mas desaparecem. Para todos os animais é dada só meia garrafa PET por dia. Se não trouxermos mais, eles ficam famintos", garante Rejane que é voluntária no parque há quase quatro anos. Segundo ela, há três semanas, o parque está sem milho. Rejane afirma que todos os domingos lava o cocho das aves porque os funcionários do parque não o fazem. "Se não lavar, inclusive com a mangueira que trouxe, os animais ficam na sujeira total."

Assim que percebeu a situação dos bichos, Rejane, que mora em Higienópolis, passou a cuidar dos animais. Para isso, compra todos os meses 30 quilos de milho, 20 quilos de ração para frango e 40 quilos de quirela. Além disso, toda semana compra verduras e frutas na feira. De uma padaria, ganha diariamente sacos de pão que complementam a alimentação.

Rejane já chegou a tirar aves do parque para tratamento veterinário, recuperá-las em casa e só depois devolvê-las. A pata Doralice foi uma delas. Ferida e repleta de parasitas, ficou duas semanas internada.

Descaso. A aposentada Clara Kobashi Silva, de 62 anos, também alimenta os animais todos os dias. "Nunca encontrei um funcionário cuidando deles. E se nenhum outro usuário os alimenta, quando chego no fim do dia, estão desesperados." Indignada com a situação de dois pintinhos machucados, ela também os levou a veterinários particulares. "Pedi ajuda aos funcionários, mas eles disseram que o parque não tem veterinários."

A filha de Clara alimentou os animais o ano passado, mas acabou desistindo. "A situação precária deles a deixou muito mal e, apesar de tentar, nunca conseguiu ajuda da administração."

O zelador Francisco de Assis Silva Almeida, de 36 anos, recolhe todos os dias sobras de arroz de sua casa e dos apartamentos do prédio onde trabalha para levar ao parque. "Fico lá todos os fins de tarde alimentando e procurando os que estão doentes. Nunca vi qualquer animal sendo alimentado ou assistido."

Regina de Lima Pires, da Associação Preserva São Paulo e fundadora do Movimento SOS Parque da Água Branca, afirma que não existe interesse do parque em melhorar as condições dos bichos. Ela conta, por exemplo, que na época que antecede o carnaval, as penas dos pavões são arrancadas.

Para Regina, a esperança de melhorar a situação está em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público ao governo estadual. O documento - um acordo que ainda não foi assinado (está em fase de estudo na Procuradoria-Geral do Estado) - contempla o manejo dos animais. O parque passa por uma reforma estimada em R$ 13 milhões.

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