Nº dos que não sabem ler tem a 1ª alta desde 2004

Trajetória de queda foi interrompida em 2012 e problema afeta 13,1 milhões, 8,7% da população com 15 anos ou mais de idade

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h03

A trajetória de queda do analfabetismo foi interrompida em 2012, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados ontem pelo IBGE. No ano passado, 8,7% das pessoas com 15 anos ou mais não sabiam ler nem escrever, índice ligeiramente superior aos 8,6% de 2011. Desde que a Pnad passou a cobrir o País inteiro, em 2004, pela primeira vez a taxa de analfabetismo foi maior do que a apurada no ano anterior.

Na série de 1992 a 2012, que exclui a área rural da Região Norte, é o primeiro aumento em 15 anos. Em 1997, a Pnad registrou 14,7% de analfabetos, ante 14,6% no ano anterior.

Segundo o IBGE, a população de analfabetos cresceu em 297 mil pessoas, passando de 12,8 milhões, em 2011, para 13,1 milhões em 2012. Para os técnicos, o resultado não é estatisticamente relevante e só se poderá falar em tendência de estabilidade ou de crescimento da taxa depois de fechados os índices de 2013. A Pnad tem margem de confiança de 95%, ou seja, há 95% de chance de o resultado refletir a realidade. Em 20 anos, a taxa de analfabetismo foi reduzida à metade. Considerando a série de 2004 em diante, o recuo foi de 24%.

"Entre 2009 e 2011, houve uma queda muito grande na taxa de analfabetismo. A Pnad 2012 confirmou o patamar de 2011, o que quer dizer estabilidade. Para afirmar algo com mais segurança, é preciso esperar 2013", disse a presidente do IBGE, Wasmália Bivar.

Com o índice de analfabetismo estagnado, o Brasil fica mais longe de cumprir a Meta do Milênio, firmada nas Nações Unidas, de reduzir o índice para 6,7% até 2015. As projeções do IBGE apontam uma população de 157 milhões na faixa de 15 anos ou mais em 2015. A meta, portanto, é chegar a 10,5 milhões de analfabetos. Entre 2012 e 2015, a população analfabeta teria de ser reduzida em 2,6 milhões de pessoas.

O analfabetismo teve pequeno aumento na faixa dos 40 aos 59 anos. Na dos 15 aos 19 anos, onde o resultado já é baixo, ficou estagnado em 1,2%. Nas demais faixas etárias, houve ligeira queda no índice. Os demógrafos dizem que, com a tendência de envelhecimento da população e aumento da expectativa de vida, é possível que a taxa de alfabetização caia com menos intensidade, porque os analfabetos estarão concentrados nas faixas mais idosas.

"O analfabetismo cai por duas razões: os analfabetos velhos vão morrendo e as crianças vão para a escola. A torneira que produzia analfabetos (crianças fora da sala de aula) fechou. A alfabetização de adultos interfere muito pouco, não altera o índice. A questão estatística não é relevante", diz o economista e pesquisador de educação Claudio de Moura Castro.

Crítica. Professora da Faculdade de Educação da USP, Maria Clara Di Pierro lamenta que as políticas de educação de adultos não tenham avançado. "A luzinha vermelha já estava acesa. Já chegamos a ter 8 milhões de matrículas de adultos e agora temos menos de 4 milhões. Pouca atenção tem sido dada a este setor. O recuo dos índices de analfabetismo se deve mais à expansão da educação na idade correta do que a políticas para jovens e adultos", disse.

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