Marcio Fernandes/AE-30/5/2011
Marcio Fernandes/AE-30/5/2011

Nº de PMs vai mais que dobrar na USP

Convênio de 5 anos foi assinado ontem; patrulhamento será reforçado e secretário promete combater o uso indiscriminado de drogas

Gio Mendes, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

O número de policiais militares vai mais que dobrar dentro da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste de São Paulo, nos próximos dias. Na tarde de ontem, o reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas, o secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Batista Camilo, assinaram um convênio para aumentar o policiamento no câmpus da zona oeste da capital paulista.

A parceria tem duração de cinco anos, com possibilidade de renovação. Segundo o coronel Camilo, hoje 12 policiais militares fazem o patrulhamento do câmpus e do entorno dele. O policiamento foi intensificado após a morte do universitário Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, durante uma tentativa de assalto, no dia 18 de maio. "Com o convênio, o câmpus será patrulhado agora por 30 policiais", afirmou o comandante da Polícia Militar.

Crimes. Alunos da USP contam que há duas semanas criminosos arrombaram quatro carros de estudantes que integram a Rateria, a bateria da Escola Politécnica da USP. "Os alunos estacionaram os carros perto do portão 2 para ensaiar na Raia Olímpica da USP. Quando voltaram, eles encontraram os carros com os vidros estourados. Os ladrões roubaram os estepes e objetos dos alunos, como computadores", disse Fábio Gonçalves Rizzi, de 19 anos, estudante de Engenharia Metalúrgica.

Rizzi acredita que a presença da PM no câmpus vai inibir ações como essas. "Se eu fosse um bandido, também iria escolher a USP para agir. Aqui tem muita gente, muitos carros e o local fica bastante escuro à noite", disse o estudante. O reitor da USP disse que a iluminação do câmpus será melhorada nos próximos meses.

O secretário da Segurança Pública afirmou que a PM não vai atuar apenas no combate ao furto e roubo de carros, crimes mais comuns dentro da USP, mas também no uso de entorpecentes. Já o coronel Camilo ressaltou que os policiais militares não vão coibir manifestações de estudantes e funcionários na Cidade Universitária - mas faz uma ressalva quanto à possibilidade de qualquer invasão da Reitoria, que ele considera "quebra da ordem publica". "Sendo necessário, a polícia vai intervir."

Nos próximos dias, a PM vai conversar com a comunidade acadêmica para discutir o policiamento. "O que vai prevalecer na polícia comunitária é o diálogo com alunos, funcionários e professores", disse Camilo.

Pontos de vista

JOÃO GRANDINO RODAS

REITOR DA USP

"Estamos com projeto para a instalação de lâmpadas LED na USP. Segurança não é simplesmente a presença da polícia no câmpus"

ANTONIO FERREIRA PINTO

SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA

"A polícia vai reprimir o uso indiscriminado de drogas. Às vezes, o jovem chega muito cedo no câmpus e as famílias se surpreendem quando descobrem que ele é dependente químico"

ÁLVARO CAMILO

COMANDANTE-GERAL DA PM

"Vamos garantir apenas a segurança dos manifestantes, como já fazemos em outros locais. Invasão de reitoria não é manifestação, é uma quebra da ordem pública"

PARA LEMBRAR

Aluno foi morto em maio na FEA

Aluno do curso de Ciências Atuariais, Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, foi morto com um tiro na cabeça na noite do dia 18 de maio, após assistir a uma aula de Contabilidade na Universidade de São Paulo (USP). O estudante foi abordado por dois assaltantes quando entrava em seu Passat blindado, que estava no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). Felipe teria lutado com os bandidos, que fugiram sem levar nada. Os dois acusados pelo assassinato foram presos nos meses de junho e julho.

Desde a morte de Felipe, o Conselho Gestor da USP discutia a necessidade de a PM ajudar a Guarda Universitária no patrulhamento no câmpus. Em agosto, o Conselho Gestor aprovou o convênio para a segurança, depois de ouvir alunos e professores. Desde então, só faltava a oficialização da parceria. "O convênio, a rigor, era desnecessário, pois a PM pode atuar em qualquer local", disse o reitor da USP, João Grandino Rodas.

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