Werther Santana /AE - 11/11/2010
Werther Santana /AE - 11/11/2010

Nº de multas dobra em 6 anos. Foram 6,9 mi só em 2010

É a 1ª vez que a quantidade de autuações ultrapassa a de veículos; principal motivo para o crescimento foi a proliferação de radares

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

05 Março 2011 | 00h00

O número de multas de trânsito aplicadas na cidade de São Paulo praticamente dobrou entre 2005 e 2010. O mais recente balanço da Secretaria Municipal dos Transportes, divulgado na noite de ontem, aponta que no ano passado houve 6,97 milhões de autuações. A quantia é 96% superior à registrada seis anos antes, quando foram 3,5 milhões.

O aumento é pelo menos três vezes maior que o crescimento da frota no período (30%). E essa é a primeira vez na história que o número de multas supera a frota paulistana. Segundo a base de dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran), havia 6,95 milhões de veículos na cidade no fim do ano passado. Ou seja, é como se cada um tivesse recebido pelo menos uma multa em 2010. Para se ter uma ideia do aumento dessa proporção, em 2005, se as multas fossem distribuídas igualmente, um terço não seria multado.

O principal motivo para o crescimento nas multas foi a multiplicação dos radares eletrônicos. Em 2008, quando a Prefeitura retomou investimentos nessa área, havia 321 equipamentos - e só metade fiscalizava velocidade, por exemplo. Hoje são 547, 274 dos quais registram excesso de velocidade; desses, 193 flagram desrespeito ao rodízio.

"A fiscalização eletrônica é benéfica, porque libera os agentes de trânsito para garantir maior fluidez e segurança no trânsito", diz o presidente da Associação Brasileira de Profissionais do Trânsito (ABPTrab), Julyver Modesto de Araujo. Ele acrescenta que outra vantagem é que todos os veículos são fiscalizados, o que não aconteceria com os agentes de trânsito. "Mas não pode só ser investido em radar. Tem de colocar agente na rua, porque eles são importantes para evitar acidentes."

A proporção de infrações registradas pelos radares passou de 54% para 62%. Ao mesmo tempo, caiu a participação dos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) nas autuações, de 35% para 27,3%. Mesmo com a formação de um comando específico para trânsito, o CPTran, a participação da Polícia Militar também teve redução, de 11% para 10,7%.

Aumento. O balanço de multas mostra um crescimento de 11,5% na quantidade de multas no ano passado em relação a 2009. A infração que apresentou maior alta nesse período foi a invasão das faixas exclusivas de ônibus. Foram 277.974 no ano passado, número 156% maior do que em 2009 (quando houve 192.745)

Outro dado que preocupa é que o excesso de velocidade voltou a apresentar uma grande alta pelo segundo ano consecutivo. A quantidade de multas já é praticamente igual à aplicada por desrespeito ao rodízio - que sempre foi a campeã histórica. Foi de 1,95 milhão, a segunda maior alta entre as infrações, de 26%.

Mas as infrações de rodízio também aumentaram. Passaram de 1,7 milhão para 2 milhões entre 2009 e 2010 - alta de 20,7%. Também cresceram bastante (cerca de 30%) as infrações aplicadas a caminhões que circularam em local ou horário proibido. Foram 245,6 mil no ano passado. Dois tipos de infração caíram, segundo a pasta dos Transportes: o avanço em sinal vermelho e estacionamento irregular. / COLABOROU DANIEL TRIELLI

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