Nº de motoqueiros mortos em acidentes continua a aumentar

Apenas entre janeiro e setembro do ano passado, houve 10% mais casos; já atropelamentos e mortes em automóveis caíram

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2012 | 03h07

Dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo mostram que o número de motoqueiros mortos na capital paulista em acidentes de trânsito continua aumentando. As informações fechadas entre janeiro e setembro do ano passado revelam aumento de 10% no número de casos, na comparação com o mesmo período de 2010. Enquanto isso, o número de atropelamentos com morte e de mortes de ocupantes de automóveis apresentaram queda.

Em números absolutos, o número de motoqueiros mortos em acidentes na capital subiu de 351 para 389. Já o número de atropelamentos caiu de 495 para 466, redução de 5%; e o registro de mortes em acidentes de carro foi reduzido de 124 ocorrências para 118, ou 4% a menos.

As reduções podem ser atribuídas a dois fatores: o Programa de Proteção ao Pedestre, conjunto de ações educativas e de aumento da fiscalização sobre a travessia da faixa adotado desde março do ano passado, e a política da Prefeitura de reduzir a velocidade máxima permitida nos principais cruzamentos de São Paulo.

Somando todas as mortes causadas pelo trânsito na cidade, também entre janeiro e setembro, São Paulo apresentou redução de 4% na mortes: foram de 1.096, em 2010, para 1.050, em 2011 - o que mostra que o trânsito caótico da cidade ainda mata cerca de quatro pessoas todos os dias.

Década. Comparando os dados do ano passado com os de 2002 - dado mais antigo disponível -, é possível observar que o número de motoqueiros mortos em acidentes mais do que quadruplicou: nos nove primeiros meses de 2002 foram 75 casos. O aumento, na comparação com o ano passado, é de 418%.Vale destacar que o número de pedestres mortos por atropelamento enfrenta movimento contrário: na última década, a redução foi de 16% no número de casos.

Prefeitura. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) argumentou, em nota, que as mortes de motoqueiros estão em alta porque há mais motos em circulação. "O aumento do número de acidentes com vítimas, envolvendo motocicletas, pode ser explicado pelo crescimento da frota (de 77% entre 2005/2010), à fragilização do condutor em razão das características próprias desse veículo e à circulação da motocicleta entre os outros veículos de maior porte e em velocidade diferenciada", diz o texto.

Como forma de comparação, no período citado pela companhia, as mortes aumentaram 46%, menos do que a frota. A nota cita ainda ações da CET para aumentar o controle sobre as motocicletas, como os radares-pistola, e diz que a companhia investe em cursos e palestras no Centro de Treinamento e Educação no Trânsito (Cetet), voltadas especificamente para os motociclistas.

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