Nº de mortos pela PM cai 39%; foram 37 casos em agosto

No acumulado do ano, aumento ainda é de 5,8%; para especialista, reação popular aos registros de resistência ecoou nos quartéis

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2012 | 03h05

Policiais militares em serviço mataram 37 pessoas em agosto no Estado de São Paulo, menos do que em julho, quando foram 61 casos - queda de 39,3% . No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o aumento é de 5,8% em relação ao mesmo período de 2011 - foram 327 mortos agora, ante 309 no ano passado.

Os dados mais recentes sobre a letalidade policial foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) no Diário Oficial do Estado. Os números de setembro, quando nove suspeitos foram mortos pelas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em uma única ação, em Várzea Paulista, ainda não estão disponíveis.

O número de mortos pela PM voltou em agosto ao patamar registrado no primeiro semestre, quando, por três vezes seguidas, entre fevereiro e abril, 36 pessoas morreram por mês em ações da corporação, conforme os registros da SSP. Para o coronel da reserva José Vicente da Silva, especialista em segurança pública, a reação negativa da mídia ao alto número de resistências seguidas de morte registrado em julho pode ter ecoado nos quartéis. "Provavelmente implicou em orientações do comando para se evitar o risco de confrontos. Houve uma redução do ímpeto da polícia."

Ele cita também o fato de julho ter cinco fins de semana, ante quatro de agosto, como um fator relevante. "É algo que provoca maior atividade criminal e, consequentemente, confronto com a polícia. Isso deve se repetir em setembro, ainda mais pelo calor atípico, com mais gente na rua e mais bebida. Observo há mais de 20 anos essa situação."

Não houve variação entre o número de mortos pela PM em comparação com agosto de 2011, quando também foram registrados 37 casos de resistência seguida de morte, segundo a SSP.

Capital. Na cidade de São Paulo, o número de mortos pela PM em agosto foi 16,7% maior do que no mesmo mês do ano passado (21 a 18). Trata-se, porém, de metade do registrado em julho (42). Na Região Metropolitana, a taxa de letalidade policial permaneceu inalterada em relação ao mesmo mês do ano passado (11 casos). No interior, foram registrados seis casos a menos.

Segundo a SSP, as polícias paulistas fecharam os primeiros oito meses deste ano com a segunda menor taxa de morte por prisões e apreensões da década: 1 morte por 289,7 prisões/apreensões de menores - em 2003, a taxa era de 1 morte por 132,6 prisões/apreensões no período.

Rio. Em agosto, 43 pessoas foram mortas pela Polícia Militar no Estado do Rio, seis a menos do que no mês anterior (49). Houve 306 casos nos oito primeiros meses do ano. O Rio tem 16 milhões de habitantes e São Paulo, 41 milhões.

"Proporcionalmente, a Polícia Militar do Rio é pelo menos duas ou três vezes mais violenta do que a de São Paulo", observa José Vicente da Silva. Mesmo assim, de 2009 a 2011, o número de autos de resistência caiu 50% e o número de PMs mortos, 71% naquele Estado. / COLABOROU MARCELO GOMES

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