Nº de mortos na região serrana será revisado

Dezoito meses depois da tragédia que deixou oficialmente 905 mortos e 191 desaparecidos na região serrana do Rio, o governo federal criou uma comissão especial para revisar esses números e dar assistência às famílias que ainda enfrentam dificuldades no reconhecimento dos corpos e na liberação de benefícios sociais. A partir de amanhã, uma equipe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, formada por advogados, assistentes sociais e psicólogos, inicia uma força-tarefa nas cidades afetadas pela tragédia.

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h04

Familiares de vítimas e especialistas em resgate questionam os números divulgados pelos governos municipal e estadual. A denúncia foi feita pelo jornal Extra no domingo. Moradores e familiares relatam casos de parentes mortos ainda sem atestado de óbito, à espera de exames de DNA, e vítimas que não constam nas listas oficiais.

O vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que acompanhou os resgastes nas cidades de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, admitiu ontem que o número de vítimas pode ser maior. "Foram montanhas de pedras que desmoronaram, era impossível retirar tudo", afirmou. Pezão, entretanto, negou que houve negligência nas buscas. "Ficamos lá por quase 60 dias, não havia como retirar mais ninguém com vida."

Os integrantes da comissão vão visitar famílias desabrigadas para mapear as denúncias. O governo do Rio e as prefeituras municipais também vão acompanhar os trabalhos. A força-tarefa vai cruzar as informações das listas de desaparecidos e mortos com os cadastros de programas sociais, cartórios e órgãos do governo para encontrar falhas na notificação das mortes. Deve ainda diminuir a burocracia para a liberação de atestados de óbitos e exames de DNA que ainda não foram concluídos.

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