Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Nº de homicídios em São Paulo pode ser até 40% maior, diz estudo

'Atlas da Violência' do Ipea chama atenção para a quantidade de mortes classificadas como com 'causa indeterminada'

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Os pesquisadores do Atlas da Violência 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destinam um capítulo do estudo para analisar a qualidade do dado do Ministério da Saúde, que abre a possibilidade de registrar uma morte como de “causa indeterminada”.

Para os especialistas, a categoria pode mascarar o verdadeiro número de assassinatos em alguns Estados. São Paulo, por exemplo, tem a maior proporção de mortes por causa indeterminada ante o número total de homicídios: enquanto o dado oficial aponta que aconteceram 5.427 assassinatos, em outros 2.212 (o equivalente a 40,8%) não houve uma designação específica por falta de informação. 

Análises anteriores do Ipea chegaram a estimar que cerca de 70% das mortes sem informação poderiam, na verdade, ser homicídios. Para os pesquisadores, o dado “implica dizer que, provavelmente, os registros oficiais de homicídios estejam subestimados”.

“Nos  países desenvolvidos, geralmente as mortes violentas indeterminadas representam um resíduo inferior a 1% do total de mortes por causas externas. Isto ocorre, pois nesses lugaresse reconhece a importância de se descobrir as causas que levaram o indivíduo a óbito, como elemento fundamental para evitar novas mortes futuras”, escreveram os pesquisadores do Ipea.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) disse que a comparação dos dados do Ministério da Saúde com os registros estaduais feitos pela pasta "não são corretas", "pois os dois levantamentos têm finalidades e metodologias distintas".

"A SSP compila dados com base nos boletins de ocorrências registrados no período de um mês para fazer uma análise criminal que permite planejamento das políticas de segurança pública. As equipes de Saúde fazem uma análise epidemiológica com base na data de óbito das pessoas", esclareceu.

Ainda assim, a secretaria informou que, para fazer com que a diferença seja o mais clara possível, iniciou um projeto com a Secretaria Estadual de Saúde e, em parceria com o Instituto Sou da Paz, "trabalha para identificar e reduzir diferenças dos dois bancos de dados".

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