Mutirão reforma imóveis rachados por obra do Metrô

Em Pinheiros e Butantã, 120 residências ainda estão em reparos; túnel da Linha 4-Amarela foi aberto com explosões

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

A cada explosão para abrir o túnel por onde passam as composições da Linha 4-Amarela do Metrô, rachaduras surgiram em casas no entorno das obras. Por causa disso, ainda hoje 120 imóveis passam por reparos e reformas. A maioria está concentrada na região de Pinheiros e do Butantã, na zona oeste. Segundo o Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras, os consertos devem ser concluídos até dezembro, quando é prevista a finalização do ramal.

Apesar de o consórcio se comprometer em resolver os problemas, muitos moradores se queixam de "traumas" relacionados às explosões para escavação dos túneis. Toda detonação é precedida pelo acionamento de uma sirene, que avisa sobre a explosão. Os moradores contam que era só escutar a sirene e depois ir ao banheiro ou à cozinha da casa para ver uma nova rachadura na parede. Segundo especialistas, as rachaduras e outros problemas nos imóveis são consequência da alteração do solo. O terreno começa a assentar durante as obras, principalmente depois da escavação de túneis, e as casas mais antigas são as que mais estão sujeitas aos danos.

Problemas. Os principais problemas apresentados são trincas e rachaduras, mas também há desabamentos de forro, de telhados, portas e janelas emperradas, ruptura de encanamentos de água e esgoto, paredes desniveladas, afundamento de solo e de pisos, entre outros problemas estruturais. Um balanço da Via Amarela em 2008 mostrou que as obras haviam causado 783 danos em imóveis, 36 dos quais haviam passado por reparos mais de uma vez.

Reparos. Segundo o consórcio, há casos em que o imóvel foi condenado e os moradores, transferidos para hotéis. Mas há pessoas que estão residindo em imóveis alugados enquanto os reparos não são concluídos.

"O Consórcio Via Amarela realizou um mapeamento da área de abrangência da obra, procurou a população, esclareceu sobre eventuais problemas que poderiam surgir durante as obras. Uma vez constatado que o dano provém da obra, o consórcio providencia os reparos conforme cronograma estabelecido em acordo com os moradores e condições técnicas", afirma o comunicado dos empreiteiros.

A construção da Linha 4-Amarela começou em abril de 2004, quando apareceram os primeiros relatos de imóveis com rachaduras. Há casos de desabamento de casas em Pinheiros, Butantã e até na região central da cidade.

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