Músico que matou amiga após usar crack pega 14 anos

Bruno Kligierman Melo está internado desde o crime, em 2009, em um hospital psiquiátrico no Rio; ele diz que não se lembra do assassinato

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h04

O músico carioca Bruno Kligierman Melo, de 28 anos, foi condenado a 14 anos de prisão por matar a amiga Bárbara Shamon Calazans, de 18. O crime foi no dia 24 de outubro de 2009 no apartamento em que Melo morava sozinho, no Flamengo, na zona sul do Rio.

Na ocasião, o músico afirmou que havia consumido crack e outras drogas antes de estrangular Bárbara. Desde o dia do crime, há dois anos e quatro meses, o músico está internado no Hospital Psiquiátrico Roberto de Medeiros, no Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste da capital fluminense.

O 1.º Tribunal do Júri do Rio considerou Melo culpado por homicídio duplamente qualificado. Segundo a sentença, o músico não poderá recorrer da decisão em liberdade. A juíza Simone de Faria Ferraz, que presidiu o júri, determinou que, no prazo de 24 horas, o hospital psiquiátrico emita um laudo explicando os motivos da internação de Melo.

A juíza afirmou que a soltura de Melo seria uma "ofensa à ordem pública, já que o réu é um verdadeiro desregrado". A juíza disse ainda que a morte de Bárbara foi de "extrema crueldade".

Arrependimento. Durante o julgamento, o músico pediu perdão à família da vítima. "Eu queria pedir perdão em primeiro lugar a Deus, em segundo lugar à família dela e em terceiro lugar a qualquer pessoa que possa se sentir ofendida ou agredida com esse fato", disse Melo. "Não vim pagar de bonzinho, só vim pedir uma chance de continuar me tratando", completou o músico.

Em depoimento, ele afirmou não se lembrar de nada que ocorreu no dia do crime, pois havia ido a uma comemoração na casa de um amigo e estava sob efeito de drogas. "Na época eu me drogava muito. Bebi, fumei e fui para casa. Me lembro que tinha um compromisso com a Bárbara de manhã, um teste para figuração de novela. Marquei com ela de manhã na minha casa. A partir daí, me lembro de ter acordado e ter encontrado a Bárbara morta na minha casa. Pensei: fui eu, só tem eu aqui." Segundo Melo, ele e Bárbara tiveram um breve relacionamento, mas não namoraram. "A gente era amigo."

O policial militar que atendeu a ocorrência, Rogério Borges, contou que o músico abriu a porta do apartamento, às 17h do dia do crime. Segundo o policial, o músico disse que se lembrava de ter se desentendido com a vítima por volta das 8h. "Eu até questionei, a discussão foi às 8h e eram 17h, mas ele disse que não se lembrava como tinha matado", contou. Segundo o policial, o corpo de Bárbara estava coberto e havia uma aliança jogada no chão.

Família. O julgamento foi acompanhado pelo pai de Melo, o produtor musical Luiz Fernando Prôa, que entregou o filho à polícia após o crime. A mãe do músico morreu cerca de um mês antes do crime.

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