Músico ficou 5 dias no aeroporto de Madri, até ser deportado

Mirton tinha uma apresentação agendada, mas foi detido após dizer que ficaria hospedado na casa de uma amiga

Valéria França, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

O publicitário e músico Mirton de Paula, de 38 anos, embarcou para Madri numa viagem que misturava negócios e férias. Ele e um amigo estavam com um projeto de música eletrônica e tinham apresentação marcada na Espanha. Quando desembarcaram no aeroporto, Mirton foi barrado, mas o amigo passou. "Perguntaram onde pretendia me hospedar. Disse que na casa de uma amiga. Mandaram que eu encostasse num paredão com outros brasileiros, colombianos, índios e negros. Não tinha ninguém de olhos verdes ali", conta.

Mirton ficou cinco dias no aeroporto. "Meus pertences foram todos confiscados. Dormia em beliches, dispostos em quartos coletivos com outros viajantes. Tomava banho na pia do banheiro. Foi um pesadelo." Quando soube que seria deportado, também informaram que só poderia voltar ao Brasil pela mesma companhia aérea, a BRA, que não tinha muitos voos.

Como seu amigo passou pela imigração? "Quando perguntaram se ele falava castelhano, disse que não, que era fluente em inglês e francês. Não perguntaram mais nada." Mirton diz que não teve direito nem a ver a advogada que a família havia contratado. "Falei com ela no embarque de volta. E, quando perguntei o motivo da deportação, ela respondeu: "Má sorte"." Mirton voltou ao Brasil e comprou uma passagem para Paris, onde não teve problemas.

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