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Museus de SP só têm sites em português

Turistas passam mais tempo na cidade, mas não conseguem informação de exposições

EDISON VEIGA, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2012 | 03h04

Os turistas estão ficando cada vez mais tempo em São Paulo, sobretudo os estrangeiros: os "gringos" passam, em média, cinco noites na capital, segundo dados da São Paulo Turismo (SP Turis). Porém, quando vão procurar na internet as principais opções de cultura e lazer na cidade, deparam-se com uma dificuldade: sites de grandes museus são uma incógnita para os visitantes estrangeiros porque não têm versões em outra língua, além do português.

É o caso dos sites do Museu de Arte de São Paulo (Masp), do Museu da Imagem e do Som (MIS), da Pinacoteca do Estado e do Museu Paulista da USP, mais conhecido como Museu do Ipiranga. Nesses, qualquer não lusófono sofre para achar informações simples como horário de funcionamento ou preços.

"Como gosto de arte, sempre ouvia falar sobre o Masp como um dos mais importantes do mundo. Mas quando estava em São Paulo, no ano passado, tive dificuldades para consultar as informações e programar minha visita", conta o médico camaronês Samuel Ntoe, de 32 anos. "Acabei desistindo do site e pedindo ajuda para o hotel. Um funcionário gentilmente ligou para o museu e me informou qual era a exposição em cartaz, horários de funcionamento e preço."

A advogada suíça Pauline Gauthier, de 27 anos, veio para São Paulo no início do ano e também não conseguiu entender muito os sites dos museus. "Sei um pouco de espanhol, então, como é um idioma semelhante ao português, até conseguia compreender um pouco. Mas seria muito mais fácil se o site já tivesse uma versão em inglês, ainda que fosse apenas com as informações básicas." Como ela ficou hospedada na casa de um casal de amigos, o jeito foi apelar para a boa vontade dos anfitriões. "Eles me ajudaram a programar as visitas aos museus e outros pontos importantes de São Paulo. Então, o problema do idioma acabou sendo contornado."

O físico alemão Stephen Riedel, de 35 anos, já esteve em São Paulo a trabalho três vezes e sempre aproveitou as folgas para passear pela cidade. "Em outras grandes capitais do mundo, o inglês sempre funciona como uma espécie de coringa idiomático, resolvendo o problema de comunicação. Em São Paulo, muitos pontos turísticos não estão preparados. Infelizmente, muitas vezes nem na internet, nem nas instituições in loco."

Prazos. "A previsão da Secretaria de Estado da Cultura é ampliar a acessibilidade linguística para o público internacional em um prazo de dois anos para todos os equipamentos da secretaria, entre eles para o Museu da Imagem e do Som", informou a Assessoria de Imprensa do MIS.

O Masp afirma que seu site está sendo reestruturado e terá versões em inglês e espanhol. O projeto ainda não tem data para ir ao ar. A Pinacoteca do Estado promete para o ano que vem o lançamento de um site trilíngue: português, inglês e espanhol.

O site do Museu Paulista também está em reforma, segundo a instituição. "Primeiramente focamos em melhorar a funcionalidade, agora na segunda etapa buscamos melhorar os atrativos ao público, incluindo a tradução para outras línguas em breve".

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