Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Museus de SP entram na luta pelos direitos humanos; veja programação

Todas as 19 instituições públicas do Estado vão ter agenda especial na próxima semana

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro, todos os 19 museus públicos estaduais de São Paulo vão ter uma programação especial de segunda até o domingo, dia 11. Além disso, as instituições devem destacar peças de seu acervo que sejam relevantes na luta contra o preconceito.

Participam diretamente da ação os cinco museus cujos temas estão relacionados aos Direitos Humanos: os paulistanos Memorial da Resistência, Museu da Diversidade Sexual, Museu Afro Brasil e Museu da Imigração, e o Museu Índia Vanuíre (de Tupã, no interior). Todos os demais da Secretaria da Cultura também se engajam na divulgação do tema via redes sociais, e alguns com programações adicionais.

“É o segundo ano consecutivo em que pensamos em uma ação conjunta para marcar os Direitos Humanos”, conta Cristiane Batista Santana, diretora técnica da Unidade de Museus da Secretaria de Estado da Cultura. “Começamos os preparativos em agosto. Definimos que neste ano o mote seria ‘enfrentando os nossos preconceitos’”, afirma.

Entre os destaques da programação está a mostra Direitos Imigrantes: Nenhum a Menos, em cartaz no Museu da Imigração, e Sonhar o Mundo Sem Racismo, no Afro Brasil. Já a instituição de Tupã vai exibir o documentário Nossas Terras, que trata dos problemas de demarcação de terras indígenas. Ao longo de toda a semana, o público vai poder acompanhar a pintura coletiva do mural Política e Diversidade, no Memorial da Resistência - obra coordenada pelo artista plástico Daniel Melim. Um hotsite divulga a programação: www.cultura.sp.gov.br /sonharomundo/index.html.

Acervos. As instituições museológicas estaduais realizaram uma intensa pesquisa nos próprios acervos, de modo a poderem destacar peças que tenham ligação com a temática. O Catavento, por exemplo, elegeu como símbolo da campanha a Sala DNA, uma instalação que conta com uma escultura de 3 metros que representa uma molécula de DNA humano. De acordo com a direção do museu, a peça “nos lembra que, geneticamente, não há raças - ou seja, a própria ciência rejeita o racismo”. 

A Pinacoteca do Estado destacou o quadro Fascinação, óleo sobre madeira de Pedro Peres, datado de 1909. A imagem traz uma menina negra, vestida com roupas simples, fascinada com uma boneca branca. 

O Museu Afro Brasil separou as 100 impressões em xilogravuras sobre filtros de papel utilizados para coar café, obra sem título de Tiago Gualberto. Na parte exterior dos filtros, expressões pejorativas popularmente utilizadas no cotidiano brasileiro: mercado negro, ovelha negra, negro de alma branca, etc. O Museu do Futebol destacou reportagem do Jornal A Batalha, de 1940, que trata sobre o futebol feminino. Nos anos 1940, um decreto proibia que mulheres praticassem o esporte.

Já no Museu da Casa Brasileira se elencou o banco indígena Trumai - elaborado pelo povo que vive no Parque do Xingu. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.