Museu põe obra para leiloar na varanda

Mian, que abriga o maior acervo de arte naïf do mundo, busca recursos para se manter

ROBERTA PENNAFORT, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2012 | 03h06

Trinta obras de arte com lances mínimos de R$ 30 a R$ 16 mil foram colocadas em leilão e estão expostas na varanda e na loja do Museu Internacional de Arte Naïf (Mian), no Rio, há uma semana. Não são do acervo do museu - o maior do mundo em seu gênero, com 6 mil itens de 120 países -, mas da coleção particular da família que o criou e mantém e precisa levantar recursos para obras de emergência no casarão do século 19 onde está instalado.

O leilão silencioso é uma oportunidade de os colecionadores levarem para casa quadros e esculturas a preços bem abaixo do mercado. Inclui artistas que estão também nas paredes do museu, como Lia Mittarakis - autora do painel do Rio de Janeiro de 4 x 7 metros que ajudou a fazer a fama da casa -, Aparecida Azedo e Helena Coelho.

Fichas com os valores propostos estão sendo depositadas numa urna, que será aberta amanhã à tarde para o anúncio do resultado (o modelo permite que mais pessoas tenham acesso à exposição e possam fazer negócios).

O item mais caro é um óleo de 46 x 55 cm de Heitor dos Prazeres, naïf dos mais valorizados, de lance inicial de R$ 16 mil. "Deve valer muito mais. Já vendi um com este tamanho por R$ 50 mil", opina a organizadora de leilões Soraia Cals, pioneira na inclusão de arte popular em pregões no Rio.

O Mian quer mais é acelerar as vendas. Precisa de R$ 93 mil para recuperar a fachada, cujos ornatos estão em péssimo estado, e trocar telhas e calhas, que já não dão conta das chuvas. "A fachada nunca foi recuperada, só pintada. Os ornatos estão se desfazendo e tenho medo de que caia um pedaço na cabeça de alguém", diz a diretora, Jacqueline Finkelstein.

Ela é filha de Lucien Finkelstein, mecenas franco-carioca que comprou a casa do Cosme Velho, ao lado da estação do trenzinho que leva ao Cristo Redentor, e abriu o Mian em 1995. Arcando com tudo sozinho, ele vez ou outra teve de vender parte de sua coleção particular, reunida em 40 anos de viagens pelo mundo e guardada em sua residência, para investir no museu. Agora, a filha repete o gesto. "Não é um ato de desespero, é só mais uma frente para garantir a perenidade do museu. Quero que as pessoas se sensibilizem pela causa", explica Jacqueline.

Por falta de dinheiro, o Mian ficou fechado por cinco anos. Reabriu em abril, depois de finalizar melhorias custeadas por um patrocínio holandês, e sentiu o efeito de demanda reprimida ao ver a visitação mensal pular de 1.200 pessoas para 2 mil - o que ainda é considerado pouco diante de seu potencial artístico e localização. Mais da metade dos visitantes é estrangeira.

Mais informações sobre o leilão podem ser obtidas pelo telefone (21) 2205-8612.

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