Museu Lasar Segall ganha mais peças do artista

Último lote de obras, móveis e documentos foi doado ontem pela família do pintor

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

Rua Berta. Imóvel de 700 metros quadrados na zona sul de São Paulo foi cedido definitivamente à instituição idealizada pela mulher do pintor          

 

 

 

O Museu Lasar Segall, na Vila Mariana, único museu federal em São Paulo, recebeu oficialmente em doação ontem, da família do pintor Lasar Segall, o último lote de expressivas obras, documentos, mobiliário, matrizes e objetos. Além da cessão definitiva da casa anexa, de 700 metros quadrados, projeto do arquiteto Jorge Wilheim. O lote passa a integrar agora o acervo da instituição, hoje com mais de 3 mil obras, que é público.

Atualmente gerido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), ligado ao Ministério da Cultura, o museu foi idealizado por Jenny Klabin Segall em 1967 e implementado pelos filhos do pintor, Mauricio e Oscar Klabin Segall (já falecido).

Mauricio Segall, seus filhos e Beatriz Segall (nora do pintor), além de convidados como o ensaísta e crítico literário Antonio Candido, participaram da cerimônia de doação de todo o lote - 8 mil documentos, 5.304 fotografias, 501 objetos - incluindo peças pessoais de trabalho do artista -, 171 matrizes de gravuras, 12 móveis e mais 8 obras. Também presente ao evento, Na ocasião, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, anunciou a doação de uma 9.ª obra: uma aquarela de 1956.

Transição. Sérgio Segall, neto do pintor que discursou em nome da família (além do filho Mauricio, nove netos estavam presentes), elogiou o final da transição de uma instituição que foi criada de forma familiar para a gestão pública, mas também pediu que o governo federal mantenha o modelo idealizado pelo pai - especialmente a manutenção do conselho de notáveis que o caracteriza, que tinha na cerimônia o presidente, Celso Lafer.

Oficialmente, desde janeiro o Museu Lasar Segall não pertence mais à família. Foi quando foram derrubadas as últimas salvaguardas que mantinham o patrimônio do museu ainda passível de ser retomado pela família - como a sede da instituição, projeto modernista de Gregori Warchavchik, residência de 1936, onde viveu Lasar Segall.

Presidida por Jorge Schwartz, a instituição estuda a transferência de sua biblioteca para um outro local, para se dedicar com mais força à divulgação da obra pictórica do artista.

Contribuição. O ministro Juca Ferreira disse que Lasar Segall, que nasceu na Lituânia, poderia ter sido um artista de peso no ambiente de vanguarda da Europa, mas preferiu instalar-se no Brasil, onde "disseminou conhecimento técnico sofisticadíssimo" e demonstrou em sua obra grande comprometimento com a cultura brasileira.

"Este foi um fato excepcional na história da arte no Brasil, a passagem da esfera privada para a pública, com a doação e a preservação de grande parte do acervo do artista", disse Jorge Schwartz.

"É importante mostrar que o setor público é confiável, que pode gerir com responsabilidade uma obra dessa importância", completou José do Nascimento Júnior, presidente do Ibram.

QUEM FOI

LASAR SEGALL

PINTOR E ESCULTOR

MODERNISTA

Segall nasceu em 1891 em Vilna, hoje capital da Lituânia. Em 1923, veio para o Brasil e ajudou a criar o modernismo no País. Morreu em 1957.

A partir de 2011, dinheiro da cultura será "blindado"

O dinheiro da cultura, em nível federal, não poderá mais sofrer contingenciamento. Decreto do presidente Lula promoveu a "blindagem" do Fundo Nacional de Cultura (que inclui reservas de museus e patrimônio) para o ano de 2011. Com isso, parte substancial das verbas a serem investidas no setor fica de fora das mudanças de prioridades. Atualmente, só duas fontes de recursos federais são impedidas de entrar em contingenciamentos: o Fundo de Ciência e Tecnologia e o Fundo de Mudanças Climáticas.

Segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, essa era a maior dificuldade que ele enfrentava para convencer a área cultural de que o setor não sofreria mudanças bruscas de investimentos no futuro. Eduardo Saron, do Itaú Cultural, considera "o maior gol" do MinC neste mandato.

Segundo Alfredo Manevy, secretário executivo do Ministério, a incerteza orçamentária vinha sendo a marca de épocas sucessivas na gestão cultural. "A falta de previsibilidade levou a uma inconstância nos investimentos. Agora, os artistas terão confiança de que conseguirão realizar seus projetos." O governo diz ainda que deve ser aprovada nos próximos meses a Lei de Incentivo à Cultura, que prevê fundos diretos de investimento.

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