Museu judaico ganha R$ 900 mil de alemães

Acordo foi firmado na quinta-feira; instituição ocupará antiga sinagoga do centro de SP, cujas obras de restauro devem ser finalizadas em 2015

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2013 | 02h07

Em obras desde 2011, o Museu Judaico de São Paulo recebeu uma doação de cerca de R$ 900 mil do governo alemão para a continuidade da construção de suas instalações. O acordo foi assinado na quinta-feira, na sede da Congregação Israelita Paulista.

O museu existe como instituição desde 2000. Marco do centro paulistano, o templo Beth-El foi escolhido para ser a sede do equipamento cultural, cujo acervo catalogado tem mais de 700 peças, como um relógio (abaixo) que ficou escondido dentro do sapato de um judeu durante todo o tempo em que ele viveu em um campo de concentração, na Segunda Guerra. A instituição recebe até três itens por semana.

A própria sinagoga também tem importante valor histórico - o prédio obteve o reconhecimento pelo órgão municipal de proteção ao patrimônio em tombamento realizado neste ano.

Beth-El foi erguida de 1929 a 1932 e era frequentada, em seu auge, sobretudo por judeus alemães. Ao mesmo tempo em que o centro paulistano se degradou, seu uso se tornou menos intenso. Em 2004, o espaço foi cedido, em comodato, ao museu. E a comunidade parou de rezar ali há dois anos, quando a obra começou.

Na primeira fase, já executada, R$ 900 mil foram investidos no desenvolvimento dos projetos de hidráulica, elétrica e acústica. A instituição aprovou, via Lei Rouanet, o direito de captar R$ 22 milhões para a fase que está em andamento, que compreende a construção do prédio propriamente dito.

Arquitetura. Cinco escritórios de arquitetura foram convidados a elaborar projetos. Venceu o Botti Rubin Arquitetos, que propôs a construção de um anexo de vidro, além de novos usos para os cinco pavimentos. O patrocínio da Alemanha será investido no ano que vem - a expectativa é de que a obra seja concluída até o fim de 2015.

"Sem sede própria, estamos divididos em três endereços", conta a diretora executiva do museu, a historiadora Roberta Alexandr Sundfeld. "O acervo está guardado nos Jardins, nosso escritório fica em Pinheiros e mantemos um espaço para restauro no Paraíso."

"Este museu será um marco da presença judaica em São Paulo acessível a todos. E é importante apoiarmos, porque a Alemanha está ciente de sua história e de sua responsabilidade pelo maior crime da humanidade (o Holocausto)", diz Friedrich Däuble, cônsul-geral da Alemanha em São Paulo. "A doação tem importância simbólica. O Holocausto foi o ponto mais baixo que a humanidade atingiu, mas é reconfortante saber que o governo alemão se esforça para educar as atuais gerações para que isso não se repita", diz o médico Sergio Simon, presidente do Museu Judaico de São Paulo.

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