Museu imperial resgata folia da corte

Exposição virtual conta a história dos carnavais em Petrópolis no século 19 e no início do 20

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

07 Março 2011 | 00h00

Uma das cidades serranas do Rio afetadas pela tragédia das chuvas no início do ano, Petrópolis não terá carnaval. Mas, para não passar em branco, o Museu Imperial decidiu promover uma festa alternativa - de cunho histórico. Trata-se de uma exposição virtual que conta a história das comemorações em Petrópolis no século 19 e início do século 20. Tudo disponível no site do museu: www.museuimperial.gov.br.

"Nosso objetivo é aproveitar a internet para levar essa nossa história para todos, mesmo os que nunca vieram para cá", afirma a historiadora Cláudia Costa, chefe da biblioteca do Museu e uma das curadoras da mostra. São 54 imagens, entre fotos, recortes de jornais e revistas, brinquedos e outras peças do acervo da instituição.

Entre os documentos está a 11ª edição do jornal Correio Imperial, de 21 de fevereiro de 1888, que trazia uma nota sobre uma "batalha d"água", atividade carnavalesca da época. "Pelas crônicas da época, ficamos sabendo que d. Pedro II gostava de brincar de carnaval, gostava das batalhas d"água, divertia-se muito", diz a historiadora.

O Correio Imperial era escrito e editado em Petrópolis pelos filhos da princesa Isabel, os príncipes dom Pedro, d. Luis e d. Antônio. Os três príncipes também aparecem, ainda garotos, em uma das fotografias da exposição. Trata-se da imagem de um baile infantil à fantasia no Palácio de Cristal, em 1888, na qual também é possível observar o Conde D" Eu. Para a historiadora, o carnaval de rua hoje não é diferente do daquele tempo. "O que houve não foi uma diferenciação, mas sim uma evolução."

Verão na serra. O carnaval em Petrópolis era muito parecido ao carnaval do Rio naquele tempo. Isso porque o imperador chegava a passar seis meses por ano, durante o calor, na residência serrana. "E aí toda a corte vinha com ele. Os nobres queriam ficar perto do poder, por isso tantos casarões foram construídos na cidade", diz Cláudia. Com tanta gente da capital na cidade, era impossível que o carnaval não fosse uma réplica interiorana da vista no Rio. A exposição da história do carnaval só pode ser vista pela internet. Mas durante o feriado de carnaval o Museu Imperial permanecerá aberto - exceto na Quarta de Cinzas.

Serviço

MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS: RUA DA IMPERATRIZ, 220, CENTRO. TEL.: (24) 2245-5550/ 5560. R$ 8.

WWW.MUSEUIMPERIAL.GOV.BR.

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