Museu do poeta de 32 vai reabrir em outubro

A casa em Perdizes onde viveu Guilherme de Almeida ficou 3 anos fechada para obras

Viviane Biondo JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

 

Após cerca de três anos fechada, a Casa Guilherme de Almeida, museu que preserva a coleção de obras de arte, livros raros, móveis, objetos pessoais e roupas do poeta Guilherme de Almeida, integrante da Semana de Arte Moderna de 1922 e autor do poema em homenagem aos combatentes da Revolução de 32 que está no Obelisco do Ibirapuera, reabrirá no dia 16 de outubro, em Perdizes, zona oeste de São Paulo.

Neste período, a Casa foi restaurada e ampliada e recebeu rampas e uma estrutura para um elevador panorâmico que facilita a entrada de portadores de deficiência. O acervo também teve investimentos. As obras de arte, que incluem retratos em grandes telas a óleo de Almeida e da mulher do poeta, Baby de Almeida, feitos por modernistas como Lasar Segall, foram recuperadas. Há ainda uma ilustração da casa feita pelo próprio poeta na década de 1940.

Já os cerca de 6 mil títulos da biblioteca, que incluem raridades do século 18, foram higienizados e catalogados. "Os pesquisadores e interessados poderão conferir quais são os títulos do arquivo e agendar uma visita para consultar o exemplar", explica o diretor da Casa Guilherme de Almeida, Marcelo Tápia.

"Há exemplares da primeira edição de títulos como Pauliceia Desvairada, de Mário de Andrade, e Alguma poesia, de Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, todos com dedicatória ao poeta", comenta Tápia. De acordo com o diretor, todo o procedimento foi feito pela Secretaria do Estado de Cultura.

Atividades. De acordo com Tápia, o espaço para atividades culturais, como contação de histórias, saraus e apresentações musicais, está sendo ampliado com a instalação de toldos retráteis e prolongamentos removíveis.

"Teremos um centro de estudos em tradução literária, atividade também desempenhada pelo escritor", comenta. "Enquanto a casa esteve fechada, fizemos essas atividades na Casa das Rosas e no Museu da Língua Portuguesa, o que tornou a Casa Guilherme de Almeida ainda mais conhecida hoje do que antes da paralisação."

A exposição permanente conta com as pinturas que pertenceram ao casal Almeida dispostas nas paredes e os objetos pessoais, na própria mobília. "Também teremos vitrines na casa, para outras exposições", diz Tápia. A Secretaria de Estado da Cultura afirma que o custo total do projeto ainda não foi calculado.

História. Durante quase três décadas, o poeta e modernista Guilherme de Almeida respondeu, por meio de sua arte, à pergunta feita pelos amigos em 1946, quando se mudou para a casa. "Que ideia a sua, morar naquele fim de mundo", comentavam, referindo-se à escolha dele de residir no sobrado número 187 da Rua Macapá, em Perdizes, um bairro até então pouco habitado.

"O lugar era tão alto e tão sozinho que eu nem precisava erguer os olhos para olhar o céu, nem baixar o pensamento para pensar em mim", justificou o escritor, em uma composição inspirada no imóvel, que ele chamava de Casa da Colina. Frequentavam o local o escritor Oswald de Andrade, o escultor Victor Brecheret e as pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.

Depois da morte do poeta, em 1969, sua mulher, Baby de Almeida, vendeu todo o acervo de livros, obras de arte e objetos pessoais do marido para o Estado, que transformou o imóvel no museu Casa Guilherme de Almeida, em 1979, preservando a decoração e os móveis de todos os cômodos.

Com a reabertura, os visitantes poderão conferir no terceiro andar da casa a vista que Almeida tinha de seu escritório. "Era lá que ele compunha e descansava. A construção seguiu o estilo parisiense", afirma Tápia. A ideia da direção da Casa é organizar ainda caminhadas pelo bairro.

Praça

Na semana passada, a Prefeitura deu o nome de Praça Casa da Colina a uma área próxima do imóvel que pertenceu a Guilherme de Almeida. Ela fará parte do roteiro de caminhadas do museu.

Quem foi Guilherme de Almeida

Um dos integrantes do Movimento Modernista, Guilherme de Almeida foi autor de poemas, crônicas e traduções. É dele o poema que está no Obelisco do Ibirapuera, em homenagem aos combatentes da Revolução de 32.

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