Renato Luiz Ferreira/AE-1/1/2009
Renato Luiz Ferreira/AE-1/1/2009

Museu do Ipiranga vai ser restaurado

Com argamassa da fachada descolando, prédio de 120 anos começa a mostrar a idade. Coleta de dados sobre a deterioração já começou

Viviane Biondo, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2010 | 00h00

Frisos, colunas e ornamentos que fazem do Museu Paulista, no Ipiranga, zona sul da capital, símbolo da Independência do País sofrem com o peso do tempo. Na fachada principal, o descolamento da argamassa causou a mudança na entrada dos visitantes - agora pelas laterais. Para sanar os problemas estruturais, o prédio histórico será restaurado. Arquitetos já trabalham na coleta de informações sobre o imóvel para preparar o projeto.

A pintura descascada e as paredes afetadas por fungos deixam à mostra os tijolos e denunciam a idade do prédio, erguido há 120 anos, e que só agora passará por uma grande restauração externa. O edifício do museu foi entregue em 1890, depois de pelo menos dez anos de discussões sobre como deveria ser o monumento em homenagem à fundação do Império. Ou seja, quase um ano depois da Proclamação da República.

"Anteriormente, houve apenas serviços de manutenção", diz o arquiteto José Costa, coordenador de espaço físico da Universidade de São Paulo (USP), que comanda o projeto. A maior obra de restauro ocorreu entre 1993 e 1997, quando a cobertura de cobre e a claraboia foram restauradas.

A primeira fase do restauro, até dezembro, será de levantamento dos detalhes que exigem recuperação. "É preciso analisar os danos provocados por umidade, fungos e bactérias e definir um material durável para recuperar os ornamentos", explica Cecília Helena Salles Oliveira, professora e diretora do museu. No último fim de semana, uma equipe de arquitetos usava uma grua para fazer fotos de detalhes dos andares superiores do prédio.

A previsão é de que no início de 2011 o projeto seja encaminhado para análise do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). Após aprovação, será aberta licitação para definir a empresa responsável pela obra, começando pela fachada. "A previsão é de que fique pronta até o fim do ano que vem. Só a recuperação da fachada deve custar R$ 2 milhões", diz a diretora. A princípio, o conserto será só na parte externa. "Mas, dependendo da análise dos arquitetos, pode haver intervenções internas."

Avaliação minuciosa. A avaliação do prédio está sendo feita pela SVS Consultoria de Projetos, que ganhou a licitação para fazer o projeto de restauro. A empresa fotografa, mede e prepara desenhos e análises em laboratório de cada parte comprometida. "Na planta da construção do prédio não há referências, que devem ter sido perdidas nas oficinas nas quais os adornos foram encomendados. É preciso registrar tudo, para futuro restauro", explica Costa. Os serviços, orçados em R$ 550 mil, servirão também para calcular o custo total da obra.

Monumento. O Monumento à Independência, que é de responsabilidade da Prefeitura, está na fila para o restauro, aguardando projeto do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). Já a Casa do Grito foi restaurada entre 2007 e 2008, com custo de R$ 140 mil.

3 PERGUNTAS PARA...

José Costa

ARQUITETO

1.Quando começaram as discussões sobre a restauração?

Desde 1995 notamos a degradação. Os tijolos à vista, a argamassa soltando e os fungos proliferando nas paredes externas eram os principais sinais. O problema era o alto custo da obra.

2. O que é necessário fazer?

Retirar a pintura, refazer a argamassa, restaurar os elementos decorativos, como frisos e guirlandas, e pintar novamente. Mas antes é preciso detalhar as ações num projeto.

3. Haverá restauro interno?

Inicialmente, apenas os corredores superiores passarão por obras. O caso da fachada é mais urgente.

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