DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Museu do Ipiranga lança concurso para plano de restauro

Edital deve prever um valor de R$ 111 milhões para os trabalhos - R$ 8 milhões para o projeto, R$ 80 milhões para as obras de recuperação e R$ 23 milhões para a preparação dos espaços expositivos

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Quatro anos e um mês após ter sido interditado por conta de problemas estruturais, o monumental edifício do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, finalmente terá o início de suas obras. Ou melhor, do projeto de suas obras. Na quinta-feira, feriado do Dia da Independência, a instituição, mantida pela Universidade de São Paulo (USP), lança um concurso para arquitetos com o objetivo de escolher o melhor plano de restauro do centenário prédio.

O edital deve prever um valor de R$ 111 milhões para os trabalhos - R$ 8 milhões para o projeto, R$ 80 milhões para as obras de recuperação e R$ 23 milhões para a preparação dos espaços expositivos. A ideia é passar o chapéu entre empresários e líderes setoriais para tentar arrecadar esses fundos. Para tanto, foi firmada uma parceria entre a USP, o Governo do Estado e o Grupo Mulheres do Brasil (GMB), entidade capitaneada pela empresária Luiza Helena Trajano. Caberá ao GMB buscar os apoios da iniciativa privada.

O Estado apurou que, em café da manhã ocorrido na segunda-feira no Palácio dos Bandeirantes, 55 empresários já assinaram uma carta de interesse em cooperar - ainda sem assumir um compromisso efetivo. As contrapartidas ainda devem ser definidas. Devem ser previstos casos de doações em troca de renúncia fiscal - por meio das leis de incentivo em vigor - e não está excluída a possibilidade de que o museu reaberto tenha alguns espaços patrocinados, com marcas de empresas parceiras. “Também esperamos ter doações diretas, sem contrapartidas”, comenta a líder do comitê de cultura do GMB, Raquel Elita Preto.

“Mas será ao longo das próximas semanas que vamos estruturar todas as possibilidades”, complementa Raquel. “Temos uma equipe técnica que está avaliando o que pode e o que não pode ser feito, já que se trata de um prédio histórico”, salienta Luiza Trajano.

Com o lançamento do concurso, a administração do Museu Paulista mantém vivas as esperanças de que o espaço esteja reaberto para os festejos do bicentenário da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022. O cronograma, definido no edital, será apertado. Cinco meses para o concurso, 15 para o desenvolvimento do projeto executivo e 30 para obras civis. “Sabemos que se trata de uma corrida contra o tempo”, afirma a diretora do Museu Paulista, a historiadora Solange Ferraz de Lima.

Solange conta que, diante das dificuldades de viabilizar financeiramente o projeto, o plano de obras se tornou mais modesto. Se a ideia inicial era reinaugurar o Museu do Ipiranga já com um edifício anexo para acomodar a reserva técnica e a parte administrativa, isso agora se tornou um sonho para uma etapa futura. “Não estamos mais falando em ampliação. O foco agora, é restauro e modernização do edifício monumento até 2022”, crava.

Nos últimos quatro anos, embora nenhuma obra tenha sido feita, os trabalhos não foram perdidos. Ao custo total de cerca de R$ 3 milhões, duas profundas análises dos problemas do prédio foram desenvolvidas - a primeira delas, das fachadas, já foi concluída; a segunda, estrutural, deve ficar pronta em outubro. Tais laudos ficarão disponíveis aos arquitetos interessados em participar do certame a ser aberto na quinta-feira. Os participantes do concurso também poderão fazer visitas ao interior do edifício.

E segue a pleno vapor o longo e complicado processo de retirar do edifício histórico o pesado acervo que sobrecarregava muito o prédio construído entre 1890 e 1895 - ao custo mensal de R$ 172 mil, o museu locou, no ano retrasado, sete imóveis na região do Ipiranga para abrigar os cerca de 150 mil itens da coleção. O material bibliográfico, iconográfico e têxtil já foi completamente transferido. Agora faltam as peças tridimensionais - de carruagens a cadeiras de dentista -, cuja licitação para o transporte deve ter o processo aberto ainda neste ano. “Será um grande desafio”, acredita Solange.

Testemunharão as obras de restauro algumas poucas peças que não podem ser retiradas do museu de forma alguma. São elas as esculturas de bandeirantes nas escadarias, a maquete da São Paulo antiga, a maquete do próprio edifício monumento e o famoso quadro Independência ou Morte, pintado em 1888 pelo artista Pedro Américo (1843-1905).

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