Robson Fernandes/Estadão
Robson Fernandes/Estadão

Museu do Ipiranga é fechado por tempo indeterminado

Restauro já estava previsto, mas obras foram adiantadas, pois instalações oferecem risco aos visitantes, servidores e acervo

O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2013 | 18h40

Meses após comemorar 120 anos de fundação, o mais antigo museu da capital, o Museu do Ipiranga, fechou as portas às pressas e por tempo indeterminado.

Um comunicado da diretoria do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (nome oficial do equipamento), divulgado ontem, afirma que a decisão pelo fechamento repentino é resultado de vistorias técnicas que mostraram a necessidade de uma reforma ampla “para garantir a incolumidade dos visitantes e servidores, bem como a proteção física do acervo.”

Com rachaduras, queda de reboco e até interdição de um dos salões após o forro ter cedido dez centímetros, o restauro do prédio já estava previsto, mas com um calendário mais espaçado. Os investimentos, estimados em R$ 21 milhões, incluíam a devolução da cor original da fachada e reformas das rampas, saguão e torres externas.

Em entrevista publicada há dois meses no Jornal da USP, a diretora do Museu, Sheila Walbe Ornstein, explicou que boa parte dos problemas estruturais do prédio era resultado do uso, desde os anos 1940, do subsolo como área expositiva e para salas de administração. “No projeto original, o subsolo serviria apenas para ventilação e saída de umidade ascendente.”

De qualquer forma, afirma Sheila, na nota divulgada ontem, “é necessário e comum que museus instalados em prédios históricos fechem parcial ou totalmente para restauro e modernizações.”

Relevância. O Museu do Ipiranga é um dos mais visitados de São Paulo, com um movimento diário de 3 mil pessoas. Grande parte do fluxo envolve excursões escolares.

Seu acervo é composto de 150 mil peças - entre mobiliário, roupas e lembranças da família imperial, quadros, itens de iconografia em geral, fotos e documentos - que contam a transformação cultural, social, política e econômica do Brasil, desde o século 17 até meados do século 20. A biblioteca tem mais de 100 mil volumes e o Centro de Documentação Histórica, 40 mil manuscritos. Uma das obras mais conhecidas do acervo é o quadro Independência ou Morte, de 1888, do artista Pedro Américo.

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